Ninguém era capaz de prever que os Blackberry, os primeiros smartphones do mercado, iam voltar a ser moda em pleno 2025, numa era dominada por iPhones e Androids topo de gama, com múltiplas câmeras e outro tipo de apetrechos.

Tudo começou no Tiktok.

Vários criadores de conteúdo começaram a partilhar a sua experiência com os antigos BlackBerry como forma de digital detox. A ideia é simples: trocar o smartphone moderno por um telemóvel que permite enviar mensagens, fazer chamadas e... pouco mais. O objetivo? Reduzir o tempo de ecrã, afastar-se das redes sociais e recuperar um certo “romantismo” associado a uma era tecnológica mais simples.

Para os jovens da atualidade, usar um Blackberry é como uma viagem no tempo.

Muitos nunca tiveram um BlackBerry na adolescência, mas agora estão a escolhê-lo como ferramenta para recuperar o controlo sobre os seus hábitos digitais. Ao contrário dos smartphones atuais, os BlackBerry não incentivam o scroll infinito nem notificações constantes. Até escrever uma mensagem exige esforço sem todas as ajudas que existem hoje em dia.

Mas há limitações claras. Os BlackBerry já não suportam a maioria das aplicações modernas. O WhatsApp deixou de funcionar há muito, e a App World da marca já está inativa. Estes telemóveis só funcionam com ligação Wi-Fi e não têm acesso a redes móveis de alta velocidade como 4G ou 5G. São mais artefactos de nostalgia do que ferramentas práticas (e é precisamente esse o apelo).

De gigante empresarial a peça de museu (e agora de moda)

Para quem se lembra, o BlackBerry foi durante anos o símbolo máximo de produtividade. Criado pela canadiana Research in Motion (RIM), era o smartphone preferido de executivos, políticos e celebridades. O teclado físico, o BBM (BlackBerry Messenger) e o foco em segurança tornaram-no uma referência inquestionável.

Mas tudo mudou com a chegada do iPhone em 2007.

Enquanto a Apple apostava num ecrã tátil sem botões, a RIM duvidou da nova direção do mercado e perdeu. Os anos seguintes foram marcados por queda nas vendas, despedimentos e tentativas falhadas de reinvenção. Em 2016, a empresa abandonou a produção de hardware. E em 2022, os serviços restantes foram oficialmente descontinuados.