A linha BlackShark é, há vários anos, uma das mais respeitadas da Razer, sobretudo no meio competitivo, onde é presença habitual na cabeça de jogadores profissionais de Counter-Strike, Valorant e Call of Duty. O BlackShark V3 Pro é a nova geração do modelo topo de gama e traz uma novidade que os fãs pediam há muito: cancelamento ativo de ruído, uma estreia na família BlackShark.

Só que, como acontece com muitos produtos pensados para esports, há uma pergunta que se impõe: um headset afinado para dar vantagem num jogo competitivo é também um bom headset para tudo o resto? Depois de várias semanas a usá-lo na PS5 e no PC, a minha resposta é: nem por isso.


  • Preço: 279,99€

  • Cores: preto e branco

  • Unidade enviada por Razer

  • Compatível com PC, PS5 & Smartphone


Comecemos pelo que a Razer faz bem, e há bastante. O BlackShark V3 Pro é confortável, mesmo em sessões longas, e a qualidade de construção transmite solidez em todos os pormenores.

Gosto particularmente da escolha de materiais nas almofadas. Em vez da habitual pele sintética, a Razer optou por almofadas FlowKnit com espuma de memória, que combinam tecido com uma camada de pele sintética para garantir um bom isolamento. Na prática, o resultado é mais respirável e, a longo prazo, mais durável, sem aquele calor desconfortável nas orelhas ao fim de umas horas.

As conchas estão presas por articulações com uma rotação de 15 graus, que ajudam a ajustar o headset ao formato da cabeça. Não dobram para ficar planas, o que torna o transporte menos prático, mas a adaptação à cabeça é bem conseguida.

Imagem capturada por Geekinout.pt

Versatilidade é o ponto forte

Onde o BlackShark V3 Pro brilha é na conectividade. Liga à PS5 ou ao PC sem fios, através do adaptador de 2,4 GHz, ou com fio, por USB ou cabo de 3,5 mm. E, ao mesmo tempo, mantém uma ligação Bluetooth ao telemóvel, o que permite atender chamadas ou ouvir vídeos sem tirar o headset nem interromper o jogo. É o tipo de funcionalidade que, depois de nos habituarmos, é difícil dispensar.

Os controlos estão todos no próprio headset: volume, microfone, cancelamento de ruído e perfis de áudio. A bateria também é um destaque, com até 70 horas de autonomia no PC em ligação de 2,4 GHz, e 48 horas na PS5. Durante os meus testes, nunca senti a necessidade de o carregar com frequência.

Crédito da imagem: Geekinout.pt

Cancelamento de ruído que fica aquém

O cancelamento ativo de ruído era a grande novidade desta geração, mas não é nada de especial. Filtra alguns ruídos de fundo, mas pouco. Continuei a ouvir pessoas a falar à minha volta e até as ventoinhas do computador quando estão a rodar a maior velocidade. A Razer permite ajustar a intensidade em quatro níveis, através do Synapse ou da app Razer Audio, mas mesmo no nível mais alto o resultado está longe do que se espera de um produto com ANC neste preço.

O som é a maior desilusão

E chegamos ao ponto mais importante num headset: o som. É aqui que o BlackShark V3 Pro mais desilude. Simplesmente não soa como uns auscultadores de 279,99€.

Na PS5, o som parece plano, sem relevo. Os graves não têm força, e tudo parece ter a mesma intensidade, sem aquela separação entre camadas que dá vida a um filme ou a um jogo cinematográfico. Falta-lhe a sensação de sala de cinema que se espera de um headset deste nível. Para ter uma ideia, até as colunas da minha TV Philips OLED soam melhor.

A comparação mais reveladora foi com os Astro A30, que tenho aqui ao lado. Aí, a diferença é evidente: os Astro A30 soam definitivamente melhor, com mais substância, graves mais presentes e uma sensação de presença que falta ao BlackShark V3 Pro.

Crédito da imagem: Geekinout.pt

No PC, a qualidade é ligeiramente superior, mas não por uma grande margem. E mesmo alternando entre os vários perfis de áudio disponíveis (predefinido, gaming, esports, música e cinema), as diferenças são mínimas. Ativar o THX Spatial Audio através do Synapse ajuda a melhorar um pouco a qualidade, mas não resolve o problema do som plano.

É verdade que, através do Synapse, também é possível ajustar o equalizador e melhorar o resultado. Mas não me parece correto que um headset deste preço precise de ajustes para soar bem. O som tinha de ser bom logo à partida.

Parte disto pode explicar-se pela afinação. O BlackShark V3 Pro foi pensado para dar vantagem em jogos competitivos, onde a precisão na localização dos passos e dos tiros conta mais do que a espetacularidade. Mas isso só reforça a conclusão: é um headset para um público muito específico, e não para quem quer uma experiência imersiva.

Prós

  • Confortável, mesmo em sessões longas

  • Excelente qualidade de construção

  • Almofadas em tecido, mais respiráveis e duráveis

  • Ligação simultânea à consola ou PC e ao telemóvel por Bluetooth

  • Controlos completos no próprio headset

  • Bateria de longa duração

Contras

  • Som plano e sem impacto para o preço

  • Perfis de áudio e THX Spatial Audio com melhorias mínimas

  • Precisa de ajustes no equalizador para soar melhor

  • Cancelamento de ruído pouco eficaz

  • Não dobra para transporte