Visto em antestreia no MarShopping, sala IMAX, a convite da Sony Pictures Portugal e da agência WOWMe.
Vou ser direto: gostei do filme. Genuinamente. Zack Cregger é um realizador talentoso (já o tinha provado antes) e este Resident Evil funciona muito bem como filme de terror. O problema é que se chama Resident Evil. e apesar do realizador ser admitidamente um fã da saga, tomou demasiadas liberdades criativas e acabou por diluir o nome da saga.
A primeira metade promete muito
O filme começa bem, com o pé direito. A primeira metade captura com precisão a atmosfera que define a saga: isolamento, sensação de perigo iminente, personagens que não percebem bem o que está a acontecer à volta delas, e até um toque de gestão de recursos pelo qual os jogos são tão conhecidos. É tenso, é eficaz, e é claramente o trabalho de alguém que percebe de terror.
Algumas liberdades são tomadas logo à partida, por exemplo, está a nevar em Raccoon City, o que não corresponde ao que sabemos dos jogos. Mas é uma liberdade que funciona para o filme. Não é por aí que a crítica vai. Não sou um daqueles puristas que acha que o filme tem que ser exatamente igual ao jogo.
A segunda metade é onde tudo se complica
O problema surge quando a história avança e os monstros aparecem.
Cregger confirmou em entrevista que foi buscar elementos a Resident Evil 4 e Resident Evil 7, e isso nota-se. O T-Virus não se comporta como nos primeiros jogos, e as criaturas que aparecem estão mais próximas das Las Plagas de Resident Evil 4 do que dos zombies clássicos pelos quais a saga ficou marcada.
O que me incomoda não é a liberdade criativa em si. Numa saga tão rica como Resident Evil, qual é a necesidade de inventar e distorcer elementos clássicos da saga, quando o filme podia ter funcionado exatamente da mesma forma respeitando mais o que aconteceu em Resident Evil 2, que pegando na cronologia dos jogos, seria onde o filme se insere.
Este Resident Evil é basicamente uma reinterpretação de como o T-Virus se espalhou em Raccoon City, não uma história original no universo, nem uma adaptação fiel dos eventos do jogo. Fica num terreno intermédio. que satisfaz menos em ambas as direções.
Há também monstros que parecem completamente inventados, sem correspondência nos jogos. E isso é uma escolha difícil de justificar quando existem criaturas icónicas que teriam funcionado muito bem no filme. O Licker, por exemplo, é um dos monstros mais assustadores de toda a saga, e está completamente ausente.
O que salva o filme
A cinematografia é muito boa. Os planos absorvem-nos na imagem. A abordagem minimalista funciona. E como experiência de terror pura, o filme entrega o que promete, tanto que está neste momento com 96% no Rotten Tomatoes, o que é justificado se o avaliarmos enquanto filme de terror.
Para comparação: os primeiros dois filmes de Resident Evil com Milla Jovovich, com todos os defeitos que têm, acabam por ter mais elementos característicos da saga do que este novo Resident Evil de Cregger.