Ayrton Senna é um nome lendário na Fórmula 1.

O piloto de origem brasileira marcou para sempre a modalidade motorizada, não só pelo seu estilo de condução feroz, não dando tréguas a nenhum adversário na hora de alcançar a vitória, mas também pela surreal forma como conseguia domar os bravos monolugares da época e como se dedicava de corpo e alma à competição.

A minissérie da Netflix, com apenas 6 episódios, é uma bela homenagem ao piloto e conta a sua história dentro e fora dos circuitos. Para quem já conhece a história, ou para quem assistiu ao documentário Senna (2010), a série da Netflix não vai apresentar nada de novo, é simplesmente uma forma divertida e dramatizada de saber como Senna tomou de assalto a Fórmula 1 e se converteu num dos melhores pilotos de sempre.

Logo no início, somos transportados para Portugal, na final do Campeonato Mundial de Kart de 1979. Senna acabaria por vencer a prova, colocando-se empatado em termos de pontos com o holandês Peter Koene. Apesar do empate, a interpretação do regulamento dos organizadores daria a vitória a Koene, traçando um paralelismo para os problemas que Senna enfrentou anos mais tarde na FIA, liderada Jean-Marie Balestre.

A série procura mostrar como o piloto brasileiro, apesar do seu enorme talento nato, sempre enfrentou adversidades inesperadas, sobretudo de pessoas que não o queriam ver a triunfar. Mostra também como, apesar de vir de uma família abastada no Brasil, ainda precisou de vender um carro e de implorar dinheiro ao pai para pagar o início da sua carreira na Fórmula Ford, campeonato que acabaria por vencer no seu primeiro ano e que lhe abriria as portas para a Fórmula 3.

Gabriel Leone faz um desempenho impecável a interpretar Ayrton Senna, mostrando as várias facetas do piloto. Vemos como adorava a sua família, como contava sempre com a mãe e o pai para o apoiarem, e também os vários relacionamentos amorosos que teve ao longo dos anos, que acabaram sempre por não resultar pela dedicação que Senna tinha ao desporto. Na hora de decidir o que era prioridade, o desejo inabalável de Senna de vencer dava primazia às pistas.

Tratando-se de uma minissérie, o único ponto negativo de Senna da Netflix é como algumas temporadas e melhores momentos de Senna nos circuitos de F1 foram rapidamente resumidas. A partir de um certo momento, a série apressa-se para introduzir o conflito que teve com o piloto francês Alain Prost, quando foi seu companheiro de equipa na McLaren. As Temporadas de 92 e 93 também são apenas uma nota de rodapé na série, falhando em mostrar como o carro da Williams se tinha tornado superior devido a assistências electrónicas, que acabariam por ser banidas em 1994.