Amarrados (Never Let Go na versão original) é um filme de terror psicológico com um novo conceito.

Halle Berry assume o papel de uma mãe preocupada e lutadora, que diz aos filhos que um grande mal tomou conta do mundo. Basta um toque deste mal, que a mãe vê como demónios com língua de serpente e olhos negros, para qualquer pessoa ser contagiada pelo mal e querer matar os seus entrequeridos. O único porto seguro é casa. Velha, taciturna, e feita de madeira maciça, está perdida no meio de uma vasta floresta.

A casa não pode ser invadida pelo mal, porque foi construída com amor. Para abandonar a casa em segurança e procurar por recursos, sobretudo comida, há que estar amarrado a uma agarrada aos próprios alicerces da casa. Nunca se pode largar a corta, porque o mal está sempre à espreita. Mas... será que está? Como espectador, começamos a duvidar da sanidade mental da mental e a perguntar: será que na verdade é esquizofrénica ou sofre de qualquer tipo de doença mental que cause alucinações?


Sobre Amarrados

  • Estreia: 19 de Setembro de 2024

  • Onde assistir: Salas de Cinema

  • Género: Terror / Thriller

  • Duração: 1h 41m

  • Elenco: Halle Berry, Anthony B. Jenkins, William Catlett, Stephanie Lavigne, Percy Daggs IV


Esta dúvida é implementada intencionalmente pelo realizador. É assim que o terror psicológico funciona. Não é visível, mas está ali. Amarrados sabe jogar bem isto. Os filhos, Samuel e Nolan, são o instrumento para induzir a dúvida. Contrariamente à sua mãe, os miúdos nunca viram os demónios descritos pela mãe, mas vivem em pânico constante. A mãe, com uma prestação convincente de Halle Berry, fá-los crer que faz tudo parte do grande mal, que quer engana-los e fazê-los acreditar que não existe para que larguem a corda e possa imediatamente atacar.

O filme transmite para o espectador a vida miserável que esta família monoparental vive. Têm pequenas alegrias, como escutar um gira discos e brincar com o cão de estimação Coda, mas durante o dia é um sofrimento para encontrar alimentos. Comem insectos e tudo o que aparecer para não morrerem de fome. As roupas são velhas e desgastadas. E à medida que os recursos vão ficando escassos, vemos o desespero e miséria pintados na cara de Halle Berry e dos seus filhos. Novamente, começamos a pensar se os demónios realmente existem... e se o grande mal é na verdade metafórico.

A maior parte do filme é um build-up para a sequência final, em que tudo dá para o torto. Como sempre, a minha política é não revelar spoilers desnecessários. Por um lado, gostei do conceito introduzido pelo filme. É fresco, diferente dos demais filmes de terror que recorrem às mesmas estratégias e formatos. Por outro, apesar de não ser um filme tão longo como se tornou habitual nos dias de hoje, é um pouco monótono de mais e não usa eficientemente o tempo. Quando os créditos rolam, existem demasiadas perguntas por responder.