O mantra "Go Woke, Go Broke" espalhou-se pelas caixas de comentários da Internet ao longo de 2024, mas nunca passou de um eco vazio e sem fundamento, fruto de extremismo cego e sem qualquer ponta de lógica ou verdade.
Faz parte de uma narrativa de que certas temáticas não são importantes nos videojogos, de que os jogadores não querem saber disso para nada, e que a abordagem de qualquer conteúdo relacionado com DEI (Diversidade, Equidade e Igualdade) é prejudicial para o sucesso comercial de um jogo.
Um dos exemplos mais frequentes para justificar esta linha de pensamento é Concord, o título multiplayer da PlayStation que alegadamente custou $400 milhões para desenvolver e que foi um falhanço, acabando com os servidores desligados duas semanas após o lançamento.
Pessoalmente, além de me parecer ridículo etiquetar os jogos como woke e não-woke como se estivéssemos nalgum campo de concentração, nunca me pareceu que o problema fosse a inclusão de DEI nos videojogos, mas sim a qualidade. Um jogo mau é mau; não importa realmente os temas que aborda. E um jogo bom é bom. Há jogos sem DEI que também são enormes falhanços, mas claro... isso não contribui para a falsa narrativa que se criou.
Dragon Age bate recorde da EA no Steam
Contrapondo esta falsa narrativa, já tivemos exemplo de jogos com DEI que são enormes sucessos: The Last of Us, Baldur's Gate 3, Mass Effect, Marvel's Spider-Man, Valorant, Overwatch, League of Legends (um dos jogos mais jogados do planeta), entre outros. Agora, existe mais um a juntar a esta lista: Dragon Age The Veilguard. O novo jogo da Bioware já se tornou no melhor lançamento single-player da EA no Steam com um pico de 70,414 jogadores (via IGN). Ainda não foram reveladas as vendas em todas as plataformas, mas a quantidade de jogadores no Steam revela um futuro promissor.
No entanto, se seguirmos as falácias de extremistas como Mark "Grummz" Kern (foi o produtor de Diablo II), era impossível que Dragon Age: The Veilguard tivesse sucesso porque é um jogo woke. E os jogadores não querem jogos Woke, certo? Os jogos woke são automaticamente falhanços de vendas, certo? A realidade é bem diferente.
Há, de facto, jogadores que não se importam se um jogo inclui ou não elementos de DEI. Para muitos (eu incluído), não é um factor determinante na decisão de compra, mas a inclusão de representatividade é uma mais-valia. Os jogadores apreciam sentirem-se representados, explorar a liberdade na criação de personagens e interagir com uma diversidade de interesses amorosos dentro do jogo.
Já havia jogos DEI antes do termo sequer existir
Os jogos da Bioware foram pioneiros neste tipo de inclusão. Desde há muito tempo, quando ainda nem se falava neste termo, que os jogos da Bioware são DEI. E só quem nunca jogou Dragon Age ou Mass Effect, e estivesse completamente desligado da realidade, é que acharia que isso seria prejudicial para as vendas da The Veilguard.
É provável que estes discursos radicalistas fiquem piores no futuro. São o reflexo de uma polarização da política e do mundo no geral. Quando pessoas tão influentes e poderosas como Elon Musk usam discursos radicais e intolerantes, não é surpreendente que acabe por influenciar as pessoas.
Embora os jogadores gritem frequentemente que não querem política nem agendas nos seus videojogos, o discurso "Go Woke, Go Broke" faz precisamente parte de uma agenda política, de uma tentativa de subverter o mundo de volta aos valores tradicionais. Um mundo em que pertencer a uma minoria é motivo de vergonha, justificação de ódio e de preconceitos.