Pokémon Go ajudou a treinar tecnologia usada em drones militares, revela investigação
- por Jorge Loureiro
- 15 de junho, 2026
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Uma investigação conduzida recentemente voltou a levantar questões sobre a utilização dos dados recolhidos através de Pokémon Go, ao revelar que imagens captadas por milhões de jogadores ajudaram a desenvolver tecnologia de inteligência artificial capaz de ajudar a orientar robôs autónomos e, potencialmente, drones militares.
A tecnologia em causa pertence à Niantic Spatial, empresa criada em 2025 a partir da antiga Niantic, estúdio responsável por Pokémon Go. Antes da separação, a Niantic já tinha anunciado a intenção de utilizar imagens recolhidas pelos utilizadores para construir um "modelo geoespacial de grande escala", uma representação tridimensional do mundo real baseada em fotografias e vídeos georreferenciados.
Segundo informações avançadas pelo MIT Technology Review, a Niantic Spatial treinou os seus modelos com cerca de 30 mil milhões de imagens. Muitas dessas imagens tiveram origem em localizações visitadas por jogadores de Pokémon Go ao longo dos últimos anos, incluindo monumentos, praças, estátuas e outros pontos de interesse públicos.
Os dados não incluíam apenas imagens. Cada captura continha também informações valiosas sobre a localização, orientação e movimento do dispositivo utilizado, permitindo criar mapas tridimensionais extremamente detalhados dos ambientes reais.
A partir destes dados, a empresa desenvolveu um sistema de posicionamento visual capaz de determinar a localização de um dispositivo através da comparação entre imagens captadas pelas câmaras e mapas tridimensionais previamente construídos.
Este tipo de tecnologia pode ser particularmente útil em ambientes onde o GPS apresenta limitações, como edifícios, zonas urbanas densas ou áreas sujeitas a interferências.

Crédito da imagem: Scopely
Acordo com a Vantor, empresa com contratos militares nos Estados Unidos
Em março deste ano, a Niantic Spatial anunciou uma parceria com a Coco Robotics para utilizar esta tecnologia na navegação de robôs de entrega autónomos. Contudo, a atenção aumentou após a revelação de uma colaboração estabelecida em dezembro de 2025 com a Vantor, empresa especializada em inteligência geoespacial e que possui vários contratos com entidades governamentais e militares dos Estados Unidos.
O objetivo passa por combinar o sistema de posicionamento visual da Niantic Spatial com dados tridimensionais do terreno fornecidos pela Vantor, permitindo criar soluções de navegação para veículos terrestres e drones em ambientes onde o GPS não está disponível.
Durante uma apresentação realizada em fevereiro de 2026, representantes das empresas afirmaram que os testes iniciais permitiram reduzir erros de posicionamento em cerca de 70%, alcançando uma precisão próxima de 1,5 metros em diversos cenários.
Jogadores de Pokémon GO não sabiam que estavam a ajudar empresas militares
O uso dos dados de Pokémon Go para criar a tecnologia de localização geoespacial é questionável, tendo em conta que os jogadores não sabiam que estavam a contribuir ativamente para algo que, no futuro, seria usado em aplicações militares e instrumentos que podem conduzir à morte de pessoas.
A Niantic Spatial defende que a utilização destas digitalizações foi transparente e estava descrita nas políticas de privacidade da empresa desde 2019. A empresa acrescenta ainda que as digitalizações eram uma funcionalidade opcional e incidiam apenas sobre locais públicos.
Tanto a Niantic Spatial como a Vantor sublinham que não existe qualquer partilha direta de dados dos jogadores entre as duas empresas. A Vantor afirma inclusivamente não ter acesso às imagens originais provenientes de Pokémon Go.
Apesar das declarações de ambas as empresas, é legítimo questionar até que ponto a Niantic conseguiria desenvolver a sua tecnologia sem os dados obtidos de Pokémon Go. E apesar da Vantor não ter acesso aos dados dos jogadores, a tecnologia que está a usar provavelmente não existiria, ou teria demorado mais tempo a desenvolver, sem os mesmos.
(via Arstechnica)
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Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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