A tua plataforma para te manteres a par do que se passa no mundo do gaming, mas não só. Não percas as nossas notícias, reviews, artigos de opinião, e também dicas de fitness para te manteres forte e saudável. Vive melhor, joga melhor.

Contactos

Crítica: Scary Movie What’s Up | Ainda há lugar para paródias em 2026?

Scary Movie 6 crítica
Crédito da imagem: Paramount Pictures

Este era o filme que eu mais aguardava este ano.

Adoro a saga desde o primeiro filme, aliás, nunca me ri tanto na minha vida como na altura em que o vi, e ainda guardo essa memória com carinho. Por isso, quando soube que ia haver um sexto filme, com o regresso do Ghostface e do elenco original, as minhas expectativas foram lá para cima. O quinto filme, lançado há mais de uma década, quase matou a saga devido à ausência das caras conhecidas e ao humor sem inspiração. No entanto, o mundo evoluiu desde os primeiros Scary Movie. Será que este tipo de paródias ainda têm a capacidade de nos fazer rir em 2026?

Ontem tive a oportunidade de assistir e a minha reação acabou por ser mista. O filme fez-me rir várias veze, o que, no fundo, é o objetivo principal e o mais importante numa produção deste género, mas é inegável que fica um passo atrás dos clássicos da franquia. Embora não seja, de todo, tão mau como o quinto filme, nota-se uma clara falta de estrutura na narrativa. Muitas das cenas parecem demasiado aleatórias e desconexas, quase como se tivessem colado vários mini-sketches à pressa, sem que existisse uma verdadeira linha condutora para unir a história do princípio ao fim.

O grande chamariz de Scary Movie: What's Up era o regresso do elenco original. Foi excelente vê-los todos juntos novamente, acompanhados por algumas surpresas do segundo e do terceiro capítulo. Para além dos veteranos, o filme introduz caras novas para acompanhar os atores originais, como Olivia Rose Keegan, que faz de Sara Campbell. Estes novos atores fazem um trabalho decente e esforçam-se por entrar no espírito da coisa, mas falta-lhes aquele carisma natural e a entrega carismática a que os atores originais tinham nos anos 2000. Fica aquela sensação de que os novatos estão apenas a interpretar um papel, enquanto os antigos vestiam mesmo a pele das personagens.

Olhando para as prestações individuais, houve altos e baixos visíveis. O Ray, por exemplo, destaca-se pela positiva: o ator entregou uma prestação excelente, com cenas mais naturais, fluidas e piadas bem encaixadas. O mesmo já não se pode dizer do Shorty, cujo regresso era um dos pontos mais antecipados pelo público. Infelizmente, o ator parece ter perdido alguma daquela magia que o caracterizavam no passado; as suas falas são forçadas e sem a espontaneidade de outrora. Parece uma sombra da personagem que conhecíamos Personagens icónicas como a Gale Swallows e o Doofy sofrem um bocado do mesmo problema, protagonizando cenas que não acrescentam absolutamente nada e que acabam por falhar o alvo no que toca ao humor.

Essa irregularidade também se fez sentir na própria escrita das piadas, pois nem todas conseguem acertar. O filme tenta satirizar o clima político atual e faz uma autocrítica inteligente a si próprio e à indústria, o que funciona muito bem. Contudo, há piadas focadas na época da pandemia do COVID-19 que parecem completamente deslocadas do tempo e sem o impacto que teriam há uns anos. Senti essa receção morna na própria sala de cinema: a audiência riu-se com gosto em determinados momentos e piadas mais certeiras, mas noutros o silêncio foi total. É um filme que podia ter ido mais longe.

Apesar dos vários "buracos na estrada" da primeira parte, o filme ganha mais consistência quando entra no terceiro acto. É ali que a produção parece finalmente encontrar o seu rumo, com humor mais consistente e recuperando, verdadeiramente, aquela magia que tornaram os primeiros filmes inesquecíveis. Por tudo isto, a minha avaliação final acaba por ser positiva.

Oferece alguns momentos divertidos e ideias interessantes, mas não consegue destacar-se verdadeiramente. A experiência é competente, sem nunca ser memorável.
Pontuação da review: 6/10

6/10

Veredicto

Se és fã de Scary Movie, vale bem a pena ir ao cinema assistir a este reencontro, mas vai com a ressalva de que, embora apague a má imagem do quinto filme, ainda não consegue atingir o patamar dos originais.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.