Lisbon Noir: série portuguesa sobre serial killers e o lado negro da sociedade
- por Jorge Loureiro
- 6 de abril, 2026
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A nova série Lisbon Noir promete explorar um território ainda pouco abordado na ficção nacional: os serial killers em Portugal.
Em entrevista ao Geekinout durante uma visita ao set de gravações nos Estúdios Plural, o realizador Artur Ribeiro explicou a inspiração por trás do projeto e o que diferencia esta produção de outras do género.
A verdade é que quando pensamos em assassinos em série, a nossa mente viaja para o outro lado do oceano, para os Estados Unidos, onde filmes como Psycho e séries como Monsters (da Netflix) souberam capitalizar na temática.
No entanto, está errado dizer que Portugal não tem assassinos em série.
Tivemos o estripador de Lisboa, tivemos aquele tipo do ribatejo que matou sete pessoas," esclareceu Artur Ribeiro. "O que se calhar não há, e por isso é que também estamos a criar uma ficção, são aqueles serial killers com aquele, entre aspas, "glamour negro" dos americanos, como o Ted Bundy. Não está no imaginário português que Portugal tem serial killers. Mas basta falar com a PJ e eles conseguem enumerar uns quantos."
Artur Ribeiro explica que, ao contrário de países como os Estados Unidos, onde estas figuras são amplamente exploradas no cinema e televisão, em Portugal existe menos mediatismo e representação ficcional deste tipo de crimes.
Essa ausência acabou por motivar a criação de Lisbon Noir.
Mas esta série não vai falar apenas de serial killers. Apesar de reconhecer que os thrillers e séries sobre true crime aguçaram o apetite do público para estas obras de ficção, Lisbon Noir vai abordar vários outros temas presentes na sociedade atual.
"Os thrillers e as séries de ficção sobre true crime estão muito na moda e criaram, de facto, um espaço onde o grande público tem aderido em massa. Mas, para mim, o importante é que esta história me interessava também para refletir sobre temas atuais de Portugal e de Lisboa. Queria usar o thriller para ir ao lado negro de muitas coisas do nosso dia-a-dia: questões de saúde mental, masculinidade tóxica, a violência e o afastamento das pessoas através das redes sociais. No fundo, toda a boa televisão e o bom cinema falam sempre do presente e refletem os nossos medos, as nossas angústias e as nossas questões."
A inspiração em Diogo Alves
O ponto de partida para Lisbon Noir é Diogo Alves, o famoso assassino do Aqueduto das Águas Livres. A série decorre nos tempos modernos, quando surge um imitador de Diogo Alves, que roubava as pessoas que passavam pelo aqueduto e depois as atirava lá de cima.
Para este psicopata, o Diogo Alves nem é bem uma inspiração; é mais uma desculpa para dar asas aos seus instintos. No fundo, a questão do nosso serial killer é algo pessoal, uma psicopatia que vem desde criança. Aliás, esse é um tema referido na série: a ideia de que a psicopatia pode estar nos genes e na genética, desenvolvendo-se independentemente do crescimento da criança. O Diogo Alves é apenas um ponto de partida; este psiquiatra vai muito além dele e quer, inclusive, tornar-se mais lendário do que o próprio Diogo Alves."
Lisbon Noir estreia a 13 de abril na TVI e no Prime Video.
O elenco inclui nomes como Pepê Rapazote, Beatriz Godinho, Mina El Hammani, Luís Filipe Eusébio, Cleo Diára, Teresa Tavares e Paulo Pires, entre outros.
A série resulta de uma parceria entre a TVI e o Prime Video para a produção de conteúdos originais em Portugal.
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Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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