Mario Tennis Fever (análise) | A divertida febre do regresso ao court
- por Pedro Gomes
- 2 de março, 2026
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O spin-off do canalizador mais conhecido do mundo em que este vira um profissional de ténis já data de agosto de 1995, algo que, além de me fazer sentir velho, o coloca a caminho dos 31 anos, uma longevidade de respeitar tendo em conta a sua natureza secundária dentro do universo do Super Mario. Após 8 anos de descanso desde o lançamento de Mario Tennis Aces para a Nintendo Switch original, está na hora da segunda edição da consola portátil receber, de forma exclusiva, Mario Tennis Fever!
Tomando partido das novas potencialidades da Switch 2, esta nova entrada tem como principal novidade a introdução das raquetes Fever, trazendo consigo poderosas habilidades que visam rejuvenescer a experiência e dinamizar as partidas. Resta saber se os fãs desta vertente mais arcade do desporto e da série em si têm na sua presença uma boa potencial aquisição ou se este foi um passo em falso que não terá argumentos suficientes para despertar o interesse dos jogadores.
Sobre o jogo:
Versão testada: Nintendo Switch 2
Género: arcade / desporto
Editora: Nintendo
Preço: €69.99 (digital) / €79.99 (físico)
O lado mais arcade do Ténis
A franquia Mario Tennis sempre se focou no lado mais casual do ténis, nunca deixando de respeitar as regras do desporto convencional, mas investindo mais por ser considerada uma experiência acessível e casual, bem longe de um simulador que entra em bastante mais detalhe, algo que está a falhar para adeptos desta modalidade. Ainda assim, este consegue percorrer a fina linha entre ser mais fácil de controlar, com métodos de compensar erros posicionais e colocando o elenco a efetuar manobras miraculosas para apanhar uma bola que no desporto real seria completamente impossível, deixando espaço para recompensar detalhes mais técnicos como Drop Shots que apanham o adversário bem longe da rede ou Top Spins potentes que até empurram o recetor da bola ligeiramente para trás.

Imagem capturada por Geekinout.pt
O elenco de personagens disponível é extenso, com 38 jogadores por onde escolher, trazendo os suspeitos do costume, já bem conhecidos do universo do Super Mario e dos seus spin-offs, sejam eles Bowser, Donkey Kong ou o Yoshi, permitindo também as estreias de Wario e Waluigi nas suas versões bebé, por exemplo. Todos estes dividem-se em 6 classes diferentes, oferecendo stats distintos que permitem uma melhor combinação com o nosso estilo de jogo preferido, tal como acontece em anteriores títulos da franquia. Nem todas as figuras estão disponíveis de imediato para usar em campo, mas os requisitos para as desbloquear são acessíveis e acabam por ser finalizados ao passar tempo nos vários modos de jogo. Ao competir também vamos ganhando acesso a novos campos de jogo e às novíssimas raquetes Fever, o destaque desta entrada.
Com visuais bem agradáveis e uma performance imaculada, mesmo em momentos de maior caos a meio de uma partida, este é um título “à moda antiga” em que só tens que te preocupar em inserir o cartucho, jogar e divertir-te… e, por vezes, só isso já vale o preço de admissão.
Raquetes Fever – O caos incarnado
O fator diferenciador deste Mario Tennis é, sem dúvida, a inclusão das raquetes Fever, acrescentando aquele picante extra à fórmula tradicional da franquia. A cada volley matreiro e raquetada a toda a força, a personagem que controlamos vai preenchendo uma barra de recursos, a barra Fever, que permite libertar o poder do nosso instrumento de jogo, fazendo toda a diferença em cada ponto disputado.
A variedade de poderes é imensa, podemos colocar Thwomps numa determinada zona do campo que vasculham as imediações e atacam os jogadores rivais, tornar o nosso jogador invisível, algo que é extremamente forte em termos de causar a confusão no oponente, ou semear lama numa área generosa do campo oposto, abrandando o movimento dos competidores e diminuindo o ressalto das bolas que lá aterrem. Entre 31 raquetes diferentes, existem várias combinações demolidoras e efeitos que irão semear o pânico na competição, tornando os courts numa verdadeira rebaldaria. Contudo estes efeitos podem ser contra-atacados ao intercetar a bola antes que ela aterre no chão, levando a intensas trocas entre equipas para evitar que o poder se concretize a todos os custos, portanto esta técnica não é um botão de “free win” que arrume os pontos, envolvendo alguma técnica e cuidado. Tendo cada jogador uma barra de vida que pode ser desbastada com certos efeitos, há a possibilidade de remover um dos jogadores de campo temporariamente, em caso de jogos de Duos, enquanto que, no caso de só um dos elementos da equipa estiver ativo em campo ou em Solos, caso a barra de vida acabe, o jogador fica exausto e terá as suas ações em campo com efetividade reduzida.
Este é um elemento certamente original e que traz consigo muito mais dinamismo às partidas, permitindo encher o campo de armadilhas ou até dando buffs a quem usar o poder, em algo que considero ser um gimmick que adiciona várias horas de diversão a Mario Tennis Fever. Para jogadores que procurem momentos hilariantes em família ou com amigos, encontrarão aqui, sem dúvida, uma muito boa adição para a rotação de jogos em conjunto, enquanto que quem olhar para aqui pelo lado mais competitivo e sério, vai achar esta inclusão demasiado caótica ao ponto de levar à frustração, mas, para estes, é possível desligar por completo as raquetes Fever e aproveitar a experiência Mario Tennis mais “normal”.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Modo história e outros modos de jogo
Para acrescentar alguma variedade à oferta do jogo, a equipa do estúdio Camelot introduziu vários modos para manter a ação em campo fresca.
Começando pelo modo Aventura, temos uma pequena história disponível na qual Mario e Luigi são transformados em bebés numa das suas jornadas conjuntas, tendo então como objetivo recuperar as suas formas adultas com recurso ao ténis. Na verdade, este modo serve apenas como um tutorial para as várias mecânicas disponíveis no jogo, dividindo-se entre a primeira parte da academia de ténis e uma segunda com a aventura mais propriamente dita. Ainda que a segunda parte tenha algumas ideias interessantes, a parte da academia arrasta-se imenso, obrigando o jogador a ir de ponto A até ao ponto B e vice-versa constantemente até ao enjoo, inchando desnecessariamente a coisa e tornando-se numa verdadeira tarefa chata.
Pelos restantes modos está a diversão mais imediata e sem palha pelo meio, desde torneios a solo ou a pares sem grandes alterações, ao Mix It Up que envolve opções de jogo muito mais frenéticas e caóticas, e sem esquecer o Swing Mode onde podes entrar em campo com as opções de moção com os Joy-Cons (não te esqueças das tuas straps), entre outros. Para jogadores mais competitivos, existe também o modo ranqueado, no qual podemos competir contra pessoas à volta do mundo em tempo real, no qual não está incluído a opção jogar Duos com um parceiro de forma local.
Dando a escolha de jogar a solo ou até 4 jogadores, dependendo do modo, a variedade é boa enquanto título para diversão em conjunto, mas não tanto a solo. Da perspetiva de competir a pares com a minha namorada, a opção que mais nos prendeu foi o modo Tournament, que oferece 3 modos de dificuldade para adequar o nível de desafio, enquanto que modo Mix It Up foi bom para experimentar, ainda que não tenha grande interesse em voltar após a diversão inicial. As Trial Towers parecem incluir um segundo jogador quase como um apêndice e não como uma peça fulcral, enquanto que a omissão de modo ranked a dois de forma local, como mencionei antes, é uma grande pena, já que, por exemplo, em Mario Kart World, é possível participar em corridas online conjuntas… A longo prazo, acredito que iremos regressar ocasionalmente para diversão a dois a Mario Tennis Fever, ou até em caso de termos visitas com quem partilhar e aumentar a diversão em conjunto, mas como experiência singleplayer, visto que pessoalmente não tenho grande interesse em jogar Ranked, não há grande motivo para voltar a pegar na raquete.
Prós:
Diversão acessível de miúdo a graúdo, em pura diversão árcade;
Raquetes Fever são uma adição de qualidade;
Performance e apresentação imaculados;
Contras:
Modo aventura com algum potencial, que acaba por ser arruinado pela primeira metade;
Poucos incentivos para jogadores a solo;
Modos que, após a novidade inicial, perdem o elemento apelativo.
Veredicto
Mario Tennis Fever traz consigo uma divertida adição às partidas intensas de ténis através das suas raquetes com poderes especiais, perfeitas para semear a discórdia. Para quem procurar uma nova adição à sua lista de jogos de festa, encontrará aqui uma boa dose de diversão em conjunto e de fácil acesso a todo o tipo de jogador. No entanto, se procuras algo como jogador a solo, aqui não encontrarás grandes pontos de relevo, a não ser que queiras competir nos modos Ranked, já que o modo Aventura é desapontante, não havendo grande motivo para voltar a campo de forma individual.
Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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