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Mortal Kombat II (crítica): O filme que os críticos odeiam e os fãs adoram

Mortal Kombat II é o mais recente filme a sofrer de uma dissonância entre críticos e fãs. É já o segundo filme este ano a replicar este fenómeno (o primeiro foi Super Mario Bros. Galaxy: O Filme) e, depois de o ver, consigo explicar exatamente qual é o problema.

Primeiro, o material fonte vindo do jogo não é propriamente o melhor para uma adaptação cinematográfica. Funciona às mil maravilhas para um jogo de luta — que é o que Mortal Kombat é na sua essência — mas não tem uma narrativa facilmente moldável para o grande ecrã. Tem muitos elementos “ridículos” (no sentido que fogem imenso à realidade) e não procura ter uma história grandiosa, emotiva que ressoe com o público. Sim, muitos dos diálogos são diretos, básicos e sem grande polpa, mas no jogo não é diferente

Para além disso, há também a questão dos críticos que não conhecem o material original. Aqui não podemos culpar o filme: não faz sentido avaliar uma obra sem conhecer o que está por trás. Talvez o filme pudesse ter um pouco mais de exposição para explicar certos detalhes, mas sendo uma sequela, é natural que dê muita coisa como garantida.

No entanto, nem todos os filmes têm que ser desenhados para ganhar Óscares. Às vezes, no mundo do cinema, parece que tudo é avaliado dentro dessa ótica, quando, na realidade, a maioria das pessoas procura um filme apenas para se entreter. Mortal Kombat II é um desses filmes. Mas, obviamente, tens que ter alguma familiaridade com o jogo para obter essa gratificação.

Ontem assisti ao filme no cinema e acho que é uma das melhores adaptações de videojogos que já vi, tendo em conta o material fonte. O filme tem tudo o que os fãs poderiam desejar: uma recriação extremamente fiel das várias personagens (seja ao nível das prestações dos atores ou dos fatos), uma narrativa que aproveita bastante do que já vimos nos jogos e, claro, combates mortais com violência, gore e fatalities.

A adição de Karl Urban como Johnny Cage veio trazer a dose certa de humor, com algumas piadas a fazerem referência a outros filmes — como, por exemplo, quando chama 'Gandalf' a Raiden. O filme apoia-se claramente em Urban como figura central, juntamente com Kitana e Shao Kahn que, diga-se de passagem, tem um aspeto realmente assustador e poderoso. As muitas outras personagens que aparecem são claramente secundárias, mas ajudam a compor a atmosfera e na ação.

Em suma, Mortal Kombat II não tenta ser o que não é. É um filme feito por quem gosta de Mortal Kombat para quem joga Mortal Kombat. Se fores ao cinema à espera de um argumento profundo ou de um desenvolvimento de personagens digno de um drama premiado, vais sair desiludido — tal como alguns críticos.

Um jogo muito bom, que cumpre as expectativas, com grande qualidade técnica e artística. No entanto, pode ter pequenas falhas no design, ritmo ou equilíbrio, ou a ausência de inovação. É uma experiência sólida, recomendada a fãs do género.
Pontuação da review: 8/10

8/10

Veredicto

Se o teu objetivo é ver as tuas personagens favoritas a ganhar vida, com uma fidelidade visual impressionante e toda a brutalidade que define a série, então este é o filme que esperaste durante anos. É entretenimento puro, sangrento e sem desculpas. No final do dia, a verdadeira 'vitória' aqui não pertence à crítica, mas sim aos fãs que finalmente receberam a adaptação que o material fonte merecia.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.