O estúdio italiano Milestone S.r.l. já desenvolve títulos para a série MotoGP há quase 20 anos. Começaram em 2007 e mantiveram, desde então, lançamentos anuais para satisfazer a legião de fãs do desporto de motociclos mais aclamado a nível mundial.
Após apresentar Screamer ao mundo há bem pouco tempo, reunindo alguma aclamação por parte da crítica e da audiência geral, esta edição de MotoGP visa aproveitar as dicas tiradas das aventuras mais árcades do passado recente, aliado à experiência como criadores de simuladores de desportos, para oferecer duas vertentes diferentes: uma jogabilidade mais casual e acessível para o jogador menos experiente, sem se desfazer das opções mais exigentes e fiéis de um verdadeiro simulador de motociclismo.
Incluindo outras novidades com a intenção de tornar esta a mais realista e aprimorada edição até à data, será que este é um bom ponto de partida para alguém que, como eu, experimente pela primeira vez esta série, sem deixar de agradar aos tradicionais fãs? Ou será este um ano menos feliz e um passo atrás na franquia? Esta é a minha opinião, como principiante no mundo MotoGP.
Versão testada: PS5
Género: Corridas / simulação
Data de lançamento: 29/04/2026
Preço: €69,99
Uma experiência apelativa para novatos

Imagem capturada por Geekinout.pt
Se não tens grande experiência em jogos deste género, mas és realmente um fã do desporto e gostarias de poder participar em corridas de forma mais pessoal, a edição deste ano é bastante aconchegante para novos motociclistas. Dando a opção de escolher entre o modo Pro e Arcade, se escolheres este último, consegues optar por várias ajudas para suavizar a tua entrada em pista.
Com a possibilidade de ajustar a dificuldade da IA dos restantes pilotos, podes encontrar aquele ponto perfeito entre algo que não te oferece um desafio de todo e o verdadeiro pavor que é ver a tua competição a milhas de ti, sem grande hipótese de sequer almejar à pole position. Conforme as tuas competências se vão desenvolvendo, podes aumentar a dificuldade com um simples slider que tem um enorme alcance entre o desafio mais acessível e o mais exigente, acolhendo vários tipos de jogador.
Além disso, existem várias outras opções de acessibilidade, permitindo a ajuda automática a reduzir a velocidade ou até a curvar as curvas mais apertadas, as linhas de apoio que indicam o percurso ideal a percorrer e também a opção de Rewind que te permite corrigir uma movimentação errada na pista ou um acidente desastroso ao voltar uns segundos atrás no tempo. Não sendo um perito em jogos deste tipo, estas almofadas oferecidas são extremamente bem-vindas e fazem realmente a diferença, principalmente nas horas iniciais em que estava mais ocupado a acostumar-me aos diversos percursos e à dificuldade agressiva oferecida pela IA do jogo, que supostamente ajusta o desafio consoante o jogador… algo que não me pareceu funcionar bem assim.
Dificuldade adaptável… uma implementação confusa
Guiado por sistemas de IA neurais que a Milestone tem usado em outros títulos, aqui podes encontrar uma dificuldade adaptável que visa criar um desafio ajustado aos nossos desempenhos, mas no meu caso, não consegui verificar de todo isso. Logo ao dar os primeiros passos no modo Carreira, sofri imenso com este sistema que me cilindrava constantemente, independentemente dos meus melhores esforços, levando a corridas frustrantes em que acabava por liderar de forma consistente os últimos lugares dos qualificadores e das provas principais em si.
Por muito que tentasse, em GPs diferentes e até ligando apoios para me ajudar a manter na pista, a ver se diminuía a minha frustração e conseguia alcançar algumas posições mais atrativas, a minha taxa de insucesso era quase assegurada. Para conseguir passar mais tempo a divertir-me em provas balanceadas e competitivas para as minhas admitidamente escassas habilidades em cima da mota, tive que desligar este sistema e encontrar manualmente um grau de dificuldade que me agradasse. Já foi um problema que tive ao testar o Monster Energy Supercross 25 o ano passado, onde os rivais IA tinham uma consistência de desafio tão linear como uma montanha russa, só que aqui, ou a base é demasiado alta e simplesmente não sabe lidar com pilotos inexperientes, ou algo está errado, levando a que muitos jogadores acabem desmotivados ao dar de frente com este sistema que, ao invés de ajudar, acaba por chatear.
Modo carreira – rumo à vitória

Imagem capturada por Geekinout.pt
O grande foco deste ano, pelo menos no que diz respeito a jogadores a solo, é o modo carreira. Possibilitando a escolha entre as 3 classes, Moto 3, Moto 2 e o principal MotoGP, podes optar entre criar o teu próprio piloto ou escolher um já existente e completar campeonatos. Separando o ano por atos nos quais podes definir objetivos, como provar que és o melhor ou que apenas te estás a habituar ao equipamento de uma determinada marca, podendo inclusivamente escolher um rival para igualar ou suplantar, podes percorrer o teu próprio percurso como bem quiseres.
Tendo os 22 percursos disponíveis do campeonato deste ano, incluindo o de Algarve caso queiras correr com a ajuda do fator casa, tens a opção de escolher entre apenas participar nas provas principais em cada GP, abdicando de uma potencial pole position e começando na última casa de partida, ou lutar por começar melhor posicionado, ganhando assim uma boa vantagem inicial. Com as opções de escolher entre o número de voltas pretendido e tempo para treinos, podes customizar a duração de cada fim-de-semana de competição como bem quiseres, desde verdadeiras maratonas onde vais ficar a conhecer a pista como se tratasse da tua própria casa ou saltitando entre provas de forma mais veloz para acelerar o potencial processo de seres campeão.
Com outros processos com a gestão de relações entre os vários atletas e equipas, a participação ligeira em conferências de imprensa e a manutenção da forma competitiva do teu piloto, há uma boa base aqui para passar imensas horas de diversão, ainda que não haja grande inovação e acabe por se encaixar dentro do que é típico para o género, não ousando inovar.
Realismo aprimorado, alguns pontos a melhorar

Imagem capturada por geekinout.pt
Uma das grandes novidades este ano é a introdução do sistema apelidada de Rider-Based Handling System, que opta por controlar as movimentações nas curvas com o movimento do piloto em primeiro, em vez da mota, como ocorria antes. Isso possibilitou a introdução de animações com maior fidelidade e autenticidade, criando uma maior imersão para o jogador.
Isto, aliado aos visuais realizados no Unreal Engine 5, plataforma de eleição por parte do estúdio italiano, entrega um retoque adicional à competição em termos de realismo. Com os percursos recriados de forma extremamente fiel e os sons de motores a rosnar de forma autêntica, aproveitando áudios retirados das máquinas em competição, cria-se a sensação de que estás a participar numa prova real.
Infelizmente, tal como acontece em outros jogos de desporto, os modelos dos atletas em si não são nada de especial e começam a demonstrar uma necessidade de serem o próximo aspeto a ser melhorado, ainda que o suporte para a Nintendo Switch original seja a provável causa para a manutenção destes modelos num jogo que, de resto, aguenta-se bem em termos visuais.
Outro ponto menos positivo eram os tempos de carregamento, que se arrastavam a cada entrada e saída de uma prova numa PS5 base, empancando repetidamente numa percentagem do processo, algo pouco favorável tendo em conta a velocidade rápida do armazenamento da consola.
7/10
Veredicto
Como um novato no mundo da franquia MotoGP, a minha experiência com a edição deste ano foi positiva, graças às várias alavancas de ajuda fornecidas pelo título que me fizeram sentir bem recebido e agradarão a vários tipos de fãs deste estilo de jogo, além de ter encontrado um robusto sistema de condução e bons visuais no seu geral. Ainda assim, a dificuldade adaptável completamente desajustada ou simplesmente mal implementada, o modo carreira que, apesar de competente, não introduz nada de inovador, e tempos de carregamento que se arrastam são alguns detratores de uma diversão a alta velocidade que visa agradar a pro e a novato.
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Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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