Duas funcionárias da Rockstar Games foram alvo de ataques nas redes sociais na sequência do "Extended Look" de GTA VI, que ficou disponível na passada Quinta-Feira.

Sara Lazzeroni, artista 3D na Rockstar Games e uma das pessoas envolvidas no desenvolvimento de GTA VI, tornou o seu perfil privado nas redes sociais (Instagram e X) após receber uma quantidade considerável de comentários abusivos na sequência do "Extended Look" do jogo.

Numa das últimas publicações antes de tornar o perfil privado, agradeceu o apoio da maioria dos seguidores mas foi direta sobre a razão da decisão: "Não tenho de ouvir abusos contra developers femininas."


Imagem via Sara Lazzeroni

Sarah Lee, Coordenadora de Produção na Rockstar Games, também foi alvo de ataques e os seus perfis também foram definidos para privados.

Mas um dos ataques e alegações ainda está público, e vem de um utilizador identificado como @Gazz_54, que foi buscar uma publicação de 2024, em que Lee perguntava se a sua existência era "Woke" e admitia o seu entusiasmo para jogar Ghost of Yotei.

Para contexto, é importante referir que Ghost of Yotei também foi um jogo perseguido pelos jogadores "anti-woke", por ter uma mulher no papel de protagonista, num contexto histórico – Japão Feudal – que era dominado por homens.

Com base nisso, @Gazz_54 referiu-se a Lee como uma "mulher woke mentalmente doente" e construiu um argumento de que o entusiasmo dela por Ghost of Yōtei é evidência suficiente para desconfiar de GTA VI

Isto não é novo, e é importante dizer isso de forma clara.

Cada vez que um jogo de grande visibilidade apresenta uma mulher num papel principal ou central, a mesma sequência acontece: acusações de agenda "woke", ataques às pessoas envolvidas na produção, e uma tentativa de transformar a escolha criativa num argumento político.

Em GTA VI, a lógica é a mesma: Lucia é co-protagonista, a Rockstar tem mulheres em posições de produção, logo o jogo vai ser "woke". O raciocínio não tem sustento argumentativo, mas isso nunca foi o objetivo.