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Star Fox (análise) | O (re)descolar de uma franquia adormecida

Star Fox Nintendo Switch 2 análise
Crédito da imagem: Geekinout.pt

A franquia Star Fox tem andado a navegar à deriva há já uns bons anos. O mais recente jogo, Star Fox Zero, havia sido lançado em 2016 na esquecida Wii U, e desde então, que a série, cujo primeiro jogo data a 1993, não aterrava numa consola da Nintendo.

Aproveitando a mais recente aparição da personagem principal da série, Fox McCloud, em Super Mario Galaxy Movie – o maior hit de bilheteira deste ano até ao momento – a Nintendo aproveitou o momento para levantar o véu em relação ao recomeço das suas jornadas espaciais.

Recorrendo, mais uma vez, ao êxito comercial e crítico que foi Star Fox 64 em 1997 – jogo que já recebeu vários ports e remasterizações para consolas mais recentes da marca japonesa ao longo dos anos – chegou a altura de levar o icónico título ao próximo patamar por via deste remake.

Reconstruído e modernizado para uma nova era, numa tentativa de reacender a chama dos fãs do original e de converter uma geração de jogadores diferente, Star Fox para a Nintendo Switch 2 será o definitivo teste para ver se a icónica raposa ainda consegue suceder num aspeto fulcral: conseguir cativar a atenção dos gamers, de forma a determinar se é merecedora de uma nova oportunidade na ribalta. 

Será que este reboot vai voar pelos céus a alta velocidade ou será que não tem gás suficiente no tanque para chegar ao seu destino?


  • Versão testada: Nintendo Switch 2

  • Género: ação / aventura

  • Editora: Nintendo

  • Preço: 59,99€ (compra por 45.99€ na Instant-Gaming)


O retraçar de uma aventura espacial dos anos 90

Tomando rédeas de Fox, líder do esquadrão de mercenários apelidado de Star Fox, a nossa missão é impedir a destruição do sistema Lylat pelas mãos do temível Dr. Andross, combatendo as suas frotas ao longo de diferentes locais enquanto abrimos caminho até à sua base de operações no planeta Venom. 

O enredo em si é bastante simples, optando por não esticar desnecessariamente o núcleo já existente no título original, mantendo-se assim uma fiel tirada da década de 90 com as suas campanhas menos complexas em comparação com títulos modernos, sendo assim fácil de acompanhar para todos os tipos de jogador. 

De mencionar que, se és um jogador que procura apenas completar a campanha, rolar os créditos e dar o jogo como completo, a duração de 1 ou 2 horas deste título é algo que não podes ignorar, enquanto que se fores o tipo de jogador que gosta de completar títulos a pente fino – algo beneficiado pelo formato curto e convidativo para seguir as diferentes rotas e visitar os diferentes locais – conseguirás encontrar aqui muitas horas de diversão sólida.

Campanha e protagonistas com uma nova vida

Uma das mais notáveis melhorias desta versão de Star Fox é a inclusão de cinemáticas entre os diferentes níveis, servindo estas como um melhor elo de ligação entre as várias missões, oferecendo contexto adicional aos diferentes caminhos que podes tomar. Tudo isto resulta numa experiência muito mais coesa e fácil de acompanhar para todo o tipo de fãs, sendo esta a melhor maneira de seguir a breve campanha disponível.

O modelo do nosso protagonista, Fox McCloud, foi igualmente renovado, sendo ainda assim diferente do apresentado no Super Mario Galaxy Movie, onde partilhou cenas com personagens como o titular Super Mario e a princesa Peach - algo que também se reflete nas restantes personagens, optando por um visual mais hiper-realista e com maior foco no design antropomórfico das mesmas.

O voice acting é competente e transmite uma maior personalidade aos nossos companheiros mercenários, desde o diálogo entre os níveis até às interações ao longo dos mesmos, modernizando ligeiramente o jogo neste aspeto, tornando este num upgrade geral em relação às versões anteriores.

Star Fox cinematic scene
Imagem capturada por Geekinout.pt

Melhoria galáctica dos visuais

A outra área onde este remake brilha é no seu upgrade a nível de apresentação. Longe vão os gráficos limitados pelo poder de processamento da Nintendo 64 que, apesar de ter apresentado um enorme salto para a indústria na altura, não se compara às possibilidades existentes nos dias de hoje.

Todas as missões disponíveis receberam um rejuvenescimento gráfico gigantesco, criando assim a derradeira versão em termos visuais. Graças aos distintos biomas dos diferentes planetas que visitamos ou das lutas travadas pelo espaço, aqui podes encontrar cenários lindíssimos, diversificados e que são um real prazer de desbravar. Os membros do Velan Studios extraíram o máximo da potência da Switch 2 para entregar uma aventura que, visualmente, chega a tornar irreconhecível o facto de que o jogo original já saiu há praticamente 30 anos. Tudo isto é disponível sem comprometer uma taxa de 60 FPS, que alcança sem problemas, resultando numa jogabilidade suave que complementa o gameplay frenético.

Pelo lado menos positivo, as cinemáticas correm a 30 frames por segundo, sobressaindo em relação ao restante conteúdo, uma omissão que ainda tende a ser frequente em vários títulos da consola.

Ação intensa em carris

Em termos de jogabilidade, o estúdio optou por modernizar ligeiramente os controlos, sendo mais comedido em termos de alterações, isto quando comparando às restantes renovações de peso efetuadas no título.

Star Fox é um shooter on rails, pelo que acabamos por seguir um caminho linear com diversos obstáculos pelo caminho, desde hordas de naves inimigas a obstáculos ambientais como a geometria dos diversos planetas, campos de asteroides ou ondas de lava mortíferas. Dependendo principalmente de Arwing, a nossa nave, para trilhar o caminho pelos ares, é essencial saber executar barrel rolls atempados, dar uso nossas armas de fogo e dar boosts de velocidade ou meter o pé no travão para chegar ao fim dos níveis sem perder a integridade dos nossos escudos. Irás também encontrar missões que nos levarão a pilotar o Landmaster para percursos terrestres e o Blue-Marine para desbravar os altos mares, cada um deles com ligeiras diferenças em termos de condução, mas igualmente intuitivos.

Ao longo das diferentes missões é possível encontrar power-ups para a arma da nave que aumentam a sua eficácia, anéis dourados que aumentam a barra de vida, anéis cinzentos que recuperam a integridade do veículo e bombas para arremessar que causam bom dano numa área expansiva. Tudo isto é largado pelos inimigos, por obstáculos no percurso e também pelos nossos companheiros de esquadrão, servindo como uma boa ajuda perante as hostilidades fervorosas do Dr. Andross.


Imagem capturada por Geekinout.pt

Para além disso, os nossos parceiros de combate são importantes para dar dicas acerca dos objetivos pelo caminho, mas, em troca, vão precisar da nossa ajuda para se livrarem da perseguição de naves inimigas. Contudo, há que ter cuidado com o fogo amigável que não só leva os nossos companheiros a perguntar se estamos bem da cabeça, mas também causa dano efetivo nas Arwings deles, podendo levar ao seu abandono precoce das missões caso as suas naves fiquem demasiado danificadas, colocando-os fora de combate também no nível seguinte para reparações.

Além da sua utilidade, ao manter o esquadrão intacto ao longo dos níveis, é possível obter medalhas que são essenciais caso queiras terminar o jogo a 100% em termos de complecionista. Neste aspeto, o HUD podia facilitar um pouco mais em termos de mostrar ao jogador o estado dos nossos companheiros, que só é possível acompanhar quando aparecem no nosso caminho e no final dos níveis.

Jogabilidade que começa a demonstrar a sua idade

Apesar de ter recebido algumas modernizações, a jogabilidade no seu geral ainda peca em alguns aspetos nos quais podia ter recebido mais carinho. 

A visibilidade é sempre afetada pela presença da Arwing no nosso campo de visão, algo que deu origem a dois tipos de ocasiões. Aquelas em que estava impedido de conseguir ver o inimigo que estou a tentar atingir, porque a nave estava no caminho, mas também a imensas em que os projéteis inimigos que me acertavam porque não conseguia vê-los a aproximar-se pelo mesmo motivo, impossibilitando um barrel roll ou uma esquiva atempada. Uma câmara mais dinâmica ao longo dos percursos que se adapte às movimentações do nosso veículo iria ajudar imenso neste aspeto.

As secções de modo All Range também demonstram a idade avançada da pilotagem deste título de 1997, levando a momentos em que andava em rodopios atrás de inimigos que estavam constantemente fora do meu alcance, problema que um lock-on, por muito ligeiro que fosse, iria resolver quase imediatamente.

Star Fox jogabilidade
Imagem capturada por Geekinout.pt

Pilotagem com a Switch 2

Uma das novidades desta versão de Star Fox é a inclusão do modo de utilizar um dos Joy-Con 2 como um rato para controlar as armas do Arwing, arrastando a câmara para o interior do cockpit da nave e oferecendo uma nova perspectiva do campo de batalha. Ainda que não seja um modo que use com frequência, este funcionou bem durante os testes que fiz, mas há um pequeno problema. Houveram várias ocasiões em que estava a jogar com os comandos soltos, usando os inputs normais dos dispositivos, e as minhas mãos por vezes tocavam no sensor por acidente, acionando automaticamente os controlos de rato e mudando a câmara durante uns instantes até que eu corrigisse a maneira como agarrava o Joy-Con. Talvez uma opção para desativar esta transição após o começo do nível fosse algo a considerar para evitar quebras de foco num jogo de alta octana como este.

Pela positiva, as vibrações hápticas enquanto rebentava naves inimigas, e voava pelos diversos níveis, são extremamente satisfatórias de se sentir, oferecendo uma sensação de imersão muito boa - provavelmente a melhor que tenha experimentado até agora na Switch 2.

Prós: 

  • Introdução de cinemáticas que melhoram a narrativa;

  • Visuais de alto nível, rejuvenescendo a experiência;

  • Jogabilidade extremamente suave graças aos 60FPS fixos;

  • Vibrações hápticas de excelência;

  • Experiência que permanece divertida, quase 30 anos após o lançamento original.

Contras:

  • Jogabilidade carecia de mais algumas modernizações;

  • Frustrações relativas à ativação do modo de rato a meio das missões;

  • Cinemáticas a 30FPS.

Um jogo muito bom, que cumpre as expectativas, com grande qualidade técnica e artística. No entanto, pode ter pequenas falhas no design, ritmo ou equilíbrio, ou a ausência de inovação. É uma experiência sólida, recomendada a fãs do género.
Pontuação da review: 8/10

8/10

Veredicto

Star Fox para a Nintendo Switch 2 é a derradeira maneira de se experienciar esta pérola da década de 90, rejuvenescida graças aos seus visuais de excelente nível e cinemáticas que elevam o seu enredo a um novo patamar que nenhuma outra versão sequer se aproxima. Apesar da jogabilidade não ter recebido o mesmo nível de atenção, começando a demonstrar um pouco os seus 30 anos de existência, e a duração da campanha que pode não agradar a jogadores que apenas procurem rolar os créditos, este é um reboot bem-sucedido que dá uma nova rampa de lançamento para Fox McCloud e os restantes membros do esquadrão Star Fox descolarem rumo ao estrelato com várias horas de diversão sólida.

Foto de Pedro Gomes - Autor na Geekinout
Autor

Pedro Gomes

Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.