Yoshi and The Mysterious Book (análise) | Uma aconchegante aventura
- por Pedro Gomes
- 29 de maio, 2026
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As origens de Yoshi — uma das personagens mais conhecidas do universo do Super Mario — já datam de 1991, quando recebeu o seu primeiro jogo na NES, com um design criado pela Gamefreak, agora conhecida como responsável pela criação de títulos da fábrica de dinheiro e sucesso que é a franquia dos lendários Pokémon.
A minha primeira experiência com o Yoshi já foi uns bons anos depois, quando pude desbravar o mundo de Super Mario World 2: Yoshi's Island através do seu port para a Gameboy Advance, carregando o Mario bebé no seu colo, numa aventura que me traz boas memórias. Após isso, distanciei-me dos jogos titulares do protagonista, vendo-o através dos vários spin-offs deste universo, como Mario Party, Kart e Tennis, onde costuma ter uma presença assídua, regressando agora aos seus mundos repletos de charme e sensação de descoberta.
Para acompanhar a luz do holofote que recebeu no Super Mario Galaxy Movie — trazido à vida graças à voz de Donald Glover —, o estúdio Good-Feel é mais uma vez o responsável por criar uma nova aventura protagonizada pelo dinossauro mais popular da Nintendo, após Woolly World em 2015 e Crafted World em 2019. Prometendo uma experiência sem atritos e focada numa audiência mais jovem, funcionando como uma porta de entrada para os diversos platformers pelos quais a franquia do Super Mario é conhecida, resta saber se esta foi uma aposta de sucesso.
Versão testada: Nintendo Switch 2
Data de lançamento: 21 de Maio de 2026
Género: Plataformas
Um reavivar de memória

Imagem capturada por Geekinout.pt
O enredo em Yoshi and The Mysterious Book revolve à volta de Mr. E, um livro enorme que consegue comunicar com os Yoshi e que perdeu todas as suas memórias, esquecendo-se de como foi parar à ilha onde os adoráveis dinossauros habitam pacificamente, e também de todo o conteúdo que preenchia outrora as suas páginas. Os vários capítulos, que antes estavam repletos de vida e albergavam diversas espécies, encontram-se agora abandonados e despidos da harmonia que antes possuíam, sendo o jogador a única esperança de reaver as memórias perdidas e restabelecer os diferentes ecossistemas. Misturado nesta confusão está Bowser Jr., que explora os conteúdos de Mr. E em busca do misterioso Bewilder Bird, servindo como antagonista da aventura, protegido e auxiliado por Kamek.
A história é agradável e extremamente fácil de acompanhar, apontada a uma audiência jovem para a qual o título é claramente direcionado, não deixando de oferecer algo para adultos que procurem uma jornada mais aconchegante, num aconchego geral que se observa também na jogabilidade.
À descoberta
O grande objetivo neste jogo é interagir com as diferentes criaturas que vamos descobrindo, de forma a perceber como elas coabitam nas vastas páginas do livro, preenchendo assim as memórias do Mr. E e obtendo conhecimento que em troca te dá estrelas para abrir caminho rumo aos vários capítulos. Podes carregar estas criaturas nas tuas costas e ver como podem ajudar, comê-las e saber o quão apetitosas são, ou ver que interações podes obter ao cruzar diferentes espécies, culminando num objetivo principal que podes descobrir através do teu sentido de exploração, sendo possível recorrer à ajuda do simpático Mr. E para te guiar devidamente. Ao preencher o mapa, de forma literal, com as descobertas realizadas, é fácil saber quando estás a progredir em relação ao conhecimento obtido, resultando desta forma também em lembranças que podem dar jeito caso queiras revisitar níveis anteriores para encontrar todas as Smiley Flowers ou alcançar 100% da informação de uma determinada criatura.
Desde simples personagens aladas que te podem ajudar a transpor uma elevação, a outras que podes usar como uma prancha de surf a alta velocidade e até um rato ladrão que pode ir buscar coisas que estão fora do teu alcance, existe uma boa variedade para descobrir. Com cada uma destas a introduzir mecânicas diferentes, algumas das quais podes complementar ao usar criaturas distintas de forma inteligente, o mundo é um livro aberto, mantendo um bom ritmo de descoberta, ainda que nem todas as inclusões sejam memoráveis e algumas não tenham grande utilidade fora do nível em que são introduzidas.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Outra opção questionável é a de limitar imenso uma mecânica apresentada no final da história base, que tinha potencial de revitalizar a descoberta após o desenrolar dos créditos pela primeira vez. Para evitar spoilers, não vou mencionar o elemento em questão, mas garanto que, se jogares este título, vais perceber imediatamente do que me estou a referir quando alcançares essa parte, e vais partilhar da minha opinião. Espero que numa possível futura expansão de conteúdo, se algo do género estiver sequer planeado, esta opção seja explorada devidamente, pois há muitas possibilidades que ficaram por aproveitar.
No geral, este é um mundo que vale bem a pena acompanhar, apesar dos seus pontos menos positivos em termos de jogabilidade. Com a sua base assente na descoberta, momentos de interação adoráveis e ideias geniais espalhadas ao longo dos níveis, estive quase sempre entusiasmado a descobrir novas espécies e tenho que admitir que, como adulto que parece escapar ao público-alvo pretendido, estive bastante entretido e cativado com o que pude experienciar.
A questão da dificuldade
Para tornar esta aventura em algo com o mínimo de atritos ou inconveniências, o Yoshi foi equipado com invulnerabilidade a todo o tipo de dano possível. Caiu-te um pedregulho em cima? Siga em frente, não há problema. Uma bomba rebentou-te na cara? Pfft, isso não é nada. Caíste de um precipício? Estás logo de volta à ação. Aqui nada te pode ferir, algo que o meu cérebro demorou um bocado a assimilar devido aos meus reflexos em outros jogos do género, que não costumam ser assim tão bondosos. Podes considerar este título quase como um cozy game, porque realmente as frustrações são diminuídas ao máximo. Ainda que agradeça e aprecie a existência de aventuras como esta que evitem criar grandes dificuldades ao jogador, preferia que fosse possível incluir todos estes facilitismos num modo assistido, possibilitando assim a existência de um modo mais tradicional que pudesse oferecer algum nível de desafio, por muito ligeiro que fosse.
Contracenando com esta bolha de proteção para o jogador, existem ocasiões em que levei soft-lock e não conseguia completar o objetivo final do nível sem ter que o reiniciar, algo que contrasta com a sensação de exploração e proteção contra frustrações que o jogo visa oferecer.
Um mundo visualmente encantador

Imagem capturada por Geekinout.pt
Yoshi and the Mysterious Book traz consigo um estilo visual bem conseguido, com ambientes coloridos e uma animação em stop-motion que realmente eleva a experiência no seu geral. Os movimentos aparentam ser menos suaves e podem ser um pouco estranhos ao início, mas após um breve período de habituação, considero que esta tenha sido uma aposta bem-sucedida. É uma escolha que encaixa no estilo do jogo e que o vai ajudar a envelhecer de forma mais graciosa.
Se em modo Docked a experiência salta à vista num ecrã que deixe sobressair a sua essência colorida, o modo portátil deixa muito a desejar. Oferece uma resolução aparentemente baixa, mesmo para o ecrã mais pequeno da Switch 2, surgindo com bastantes artefactos e imperfeições que me convidaram a voltar a colocar a consola na TV. Também é percetível a ocasional perda de frames quando muitos efeitos enchem o ecrã.
A nível sonoro podes encontrar aqui a tradicional banda sonora com o selo de qualidade da Nintendo, trazendo composições que acompanham bem a descoberta e a exploração. Estas deixam ainda liberdade para o silêncio nos ocasionais níveis “musicais”, que ocupam a lista dos meus favoritos.
Prós:
Aventura acessível para aos mais pequenos e fácil de acompanhar;
Recompensa espírito criativo e a imaginação;
Trilha sonora charmosa e forte sentido artístico;
Novas mecânicas introduzidas de forma constante.
Contras:
Subutilização de uma excelente mecânica apresentada mais tarde no jogo;
Ocasionais situações de soft-lock que obrigam a reiniciar o nível;
Visuais em modo portátil insatisfatórios;
Ausência de desafio será um dealbreaker para muitos.
7/10
Veredicto
Yoshi and the Mysterious Book traz consigo um convite à descoberta e exploração que procura abrir a porta para uma audiência com pouca experiência que queira uma aventura sem atritos ou grandes preocupações, algo que oferece em boa dose, ainda que o seu nível de dificuldade inexistente seja um elemento difícil de ignorar. Ainda assim, mesmo com os soft-locks ocasionais e a inclusão de algumas criaturas que não trazem nada de memorável, aqui há uma sólida veia de criatividade que continuamente bombeia novas mecânicas e que vale a pena experienciar.
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Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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