Esta é a pergunta mais frequente que recebo.
Desde que fiz uma pausa na escrita sobre videojogos e me dediquei completamente a produzir conteúdo de fitness e healthstyle para as minhas redes sociais, todas as semanas havia sempre alguém que comentava ou mandava mensagem a dizer algo do estilo: “só queria ter a tua motivação!”
Há algum tempo que tenho vindo a pensar na questão. Será que tenho mais motivação do que a maioria das pessoas para treinar? Não creio. As pessoas tendem a criar narrativas nas suas próprias cabeças para justificar as suas crenças, mas a verdade crua é que a mim custa-me tanto a levantar de manhã para ir para o ginásio como a qualquer outra pessoa. Não acordo com um sorriso rasgado, bem disposto, e com vontade de levantar pesos até não aguentar mais.
Aqui estão mais algumas verdades sobre mim:
90% das vezes, preferia ficar na cama mais uns minutos;
Durante a maior parte da minha vida, fui um procrastinador;
Achava sempre que os outros eram melhores e que não valia a pena tentar.
A minha “motivação”, se é isso que lhe querem chamar, vem de me ter apercebido de coisas simples:
Se ficares parado e nada fizeres, nada muda;
Se não tentas, não aprendes e não evoluis;
Os outros não são necessariamente melhores, apenas progrediram mais.

O que estou a dizer aplica-se não apenas ao treino e exercício físico, mas a quase tudo na vida. Mas já que estamos num site que fala maioritariamente de videojogos, imagina isto:
Deixarias de jogar e progredir num jogo apenas porque há pessoas que já estão a nível 100 e tu vais começar no nível 1? Por esta lógica, deixaria de haver jogadores de League of Legends ou Counter-Strike, jogos que existem há tanto tempo e com ligas profissionais cheias de craques.
E já que tocamos nos jogos, aqui vai outra analogia: não existe apenas um género de jogo, da mesma forma que não existe apenas um tipo de treino. Tens que experimentar diferentes géneros para saberes qual é que gostas mais. No treino é igual.
Descobri que gosto de levantar pesos e isso funciona para mim. Pode não funcionar para outras pessoas. Apenas tens que descobrir alguma coisa que gostes e que transforme o exercício físico não numa coisa obrigatória e chata, mas num momento que te faça sentir bem. Para mim, ir treinar é terapêutico e durante aquele período fico com a cabeça vazia e não penso em mais nada.
Falta de resultados, falta de motivação
Um dos factores que contribui para a falta de motivação nas pessoas é a falta de resultados. Há muitas pessoas que até se inscrevem nos ginásios, mas acabaram por desistir porque não notam diferenças corporais e eventualmente questionam-se: para quê perder o meu tempo?
À mistura, depois há outros mitos que se propagam como factores genéticos e que acabam por gerar frases célebres como “eu engordo a respirar” ou “tenho o metabolismo lento”. Se eu deixar de treinar durante meses e seguir a minha rotina normal de estar sentado todo o dia, o meu metabolismo também abranda radicalmente. Novamente, existem factores genéticos, mas não têm a importância que geralmente lhes é atribuída.
A tendência natural do meu corpo é ser um falso magro (pouco músculo, muita gordura, mas mantenho uma aparência delgada por cima da roupa). Neste momento, tenho a maior quantidade de massa muscular que alguma vez tive, e menos gordura corporal que a maioria das pessoas.
Para chegar aqui, não desisti. Tentei, falhei, errei, mas continuei! Finalmente descobri a “fórmula” que funciona para mim, mas demorou tempo. Para quem precisa de motivação, a mensagem é esta:
Não inventes narrativas, não te enganes a ti próprio. A maioria das pessoas não são especiais. Tens tudo aquilo que precisas para chegar onde queres. Só tens que começar, tentar e não parar. Não resulta? Tenta de novo, experimenta outra coisa. Eventualmente vais chegar lá.