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Rhythm Heaven Groove (análise) | Qualidade ao ritmo da batida

Rhythm Paradise Groove
Imagem capturada por Geekinout.pt

Numa altura em que o mundo dos videojogos está num tumulto intenso, com estúdios a ser encerrados a torto e a direito, despedimentos massivos a acontecer na Xbox e a Sony com um abandono da produção de cópias físicas já anunciado, estamos a passar, sem dúvida, por um momento negativo na história do gaming em geral — um momento que necessitava de algo mais animado e divertido para nos distrair da triste realidade do dia a dia. É aqui que entra Rhythm Heaven Groove.

A série Rhythm Heaven já conta com 20 anos de existência, durante os quais sempre se demarcou pelo seu foco em diversão simples e minijogos frenéticos: o mais puro tipo de entretenimento, que outrora servia como motor da indústria, mas que agora tem sido progressivamente empurrado para fora da ribalta em prol de experiências mais "cinemáticas" e com menor fator de diversão.

A presença de Groove no último Direct como único título anunciado para a Switch 1 parece também estar a sinalizar o começo da despedida do modelo original da consola híbrida, que já tem o fim de produção anunciado para a Europa. Sendo este o primeiro título da franquia em 10 anos após o lançamento de Megamix, será que esta série fora da caixa ainda tem o que é preciso para estar em sintonia com os jogadores, ou tornou-se apenas numa melodia desafinada?

Sente o beat

Rhythm Heaven Groove
Imagem capturada por Geekinout.pt

A essência da série Rhythm Heaven continua a ser a oferta de vários jogos com a duração de um a dois minutos, que colocam em destaque o sentido de ritmo dos jogadores, obrigando a cliques precisos e atempados ao som de várias cues musicais e de outros guias sonoros para completar os diferentes objetivos, algo que permanece presente em Groove. Seja para te desviares de obstáculos, cortares fruta num ápice ou acertares uns passos de dança em conjunto, existe sempre um timing exato para premir os botões necessários.

Os dois focos de entretenimento em oferta são a diversão a solo e em grupos de até quatro jogadores, este último com a opção de teres a ajuda de CPUs caso não tenhas alguém com quem partilhar a experiência. Nestas duas modalidades de jogo distintas, não há reaproveitamento de nenhum dos minijogos, o que garante uma maior variedade.

Variedade de atividades

Rhythm Heaven Groove review portugues
Imagem capturada por Geekinout.pt

Os níveis em si são uma mistura de ideias criativas e pura originalidade, aproveitando algumas atividades de títulos anteriores e introduzindo muitas outras. Podes tentar ajudar espíritos a atravessar um caminho entre espirros da Lua, fazer malabarismo de frutas com braços musculosos ou disputar jogos de voleibol cooperativos que te vão fazer suar, entre muitas outras coisas.

O modo a solo oferece 30 jogos distintos, que duplicam em quantidade ao apresentar dois níveis de dificuldade, enquanto o modo cooperativo apresenta 10 atividades, cada uma com três graus de desafio crescente. Existe ainda mais conteúdo para desbloquear ao obter boas notas nas diferentes tarefas, recompensando o jogador com uma medalha por atividade completada, o que serve como uma boa motivação para quem procurar razão para aperfeiçoar a sua técnica.

Um dos principais modos a solo desbloqueáveis é o Beatspell, que funciona como um mini-RPG por turnos rítmicos, onde vais aprendendo novos feitiços ao longo da jornada, a usar em conjunto com a batida para derrotares as forças malignas que aparecem pelo caminho.

Sendo tudo isto relativamente intuitivo após te habituares às diferentes tarefas disponíveis, o título consegue a proeza de ser acessível a um público de todas as idades, basta sentir a música e responder devidamente. Contudo, para os fãs lusófonos que não compreendam inglês, sejam miúdos ou graúdos, nota-se aqui a ausência de uma tradução dos menus para português.

O fator de longevidade e algumas notas menos positivas

Rhythm Groove Paradise Time to Beat
Imagem capturada por Geekinout.pt

A originalidade está claramente em alta neste título, mas nem tudo é perfeito. Alguns jogos não conseguiram captar a minha atenção, e outros têm timings frustrantes de acertar, destoando de um conjunto que, de resto, é bastante inspirado e cativante.

Ao longo das horas que passei a analisar o jogo, começou a instalar-se uma sensação de repetição, tanto a jogar sozinho como em conjunto com a minha namorada, opinião que ela também partilhou após algumas horas em cooperação. A impressão inicial é realmente espetacular e arrebatadora: os níveis, as distrações e as outras formas que o jogo encontra para quebrar o nosso foco são genuinamente engraçadas. Mas quando começamos a perceber o padrão e passa o fascínio inicial de estrear os níveis, começa a faltar vontade de revisitar grande parte deles.

Foi algo que também senti quando joguei WarioWare: Get It Together há uns anos — título que aposta num modelo similar de jogabilidade através dos seus microjogos —, e que acontece quando a sensação de pura diversão caótica se desvanece à medida que começas a conhecer os cantos à casa. Quem procurar completar o jogo a 100% e medalhar todo o conteúdo terá mais horas de entretenimento; quem procurar algo mais casual e sem compromissos, o tempo passado aqui poderá não ser tão alargado.

É certamente um jogo que vai ter lugar cativo na minha rotação de títulos para jogar com amigos e família, mas não me parece ter grande "staying power" como atividade recorrente, algo mais fácil de aceitar graças ao razoável preço de admissão de 40 €, valor que parece ajustado face ao que está disponível.

Forte pacote visual e auditivo, que falha num aspeto

Rhythm Heaven Groove Interface
Imagem capturada por Geekinout.pt

O estilo artístico continua a apostar em visuais que, apesar de extremamente simples, carregam imenso charme, partilhado pelas animações, igualmente básicas, mas que assentam no design pretendido pelo estúdio, criando uma experiência fácil de acompanhar e agradável para a vista, sem ruídos visuais.

A banda sonora é também excelente — algo fulcral para um jogo deste género —, ficando facilmente no ouvido e guiando a ação de forma competente ao longo das diferentes tarefas. Estão ainda incluídas faixas de J-pop em alguns níveis e nos remixes do modo a solo, que servem como contraponto bem-vindo face ao resto da banda sonora, na qual há ausência de vocais.

Pelo lado inverso da moeda, os menus, que podiam ter sido mais inventivos e originais à semelhança do resto do jogo, acabam por ser um conjunto de quadrados, retângulos e texto desinspirados, sem grande personalidade, destoando assim do pacote na sua globalidade.

Prós:

  • Variedade de atividades é diversa;

  • Trilha sonora excelente e visuais que triunfam na simplicidade;

  • Diversão acessível para fãs casuais e hardcore;

  • Complecionistas encontrarão várias horas desafiantes de conteúdo.

Contras:

  • Alguns dos níveis são menos bem conseguidos;

  • Longevidade da diversão vai desaparecendo

  • Menus desinspirados;

  • Ausência de tradução para português.

Um 7/10 é um jogo sólido, com algumas falhas acentuadas, mas que no geral vai agradar a toda a gente. É uma compra segura, desde que estejas consciente das falhas.
Pontuação da review: 7/10

7/10

Veredicto

Rhythm Heaven Groove é bem-sucedido em manter a veia de originalidade, personalidade e diversão inadulterada, num pacote que no geral triunfa graças à sua simplicidade e acessibilidade para uma alargada faixa etária, que seria bem complementado pela inclusão da tradução para a língua portuguesa para os fãs lusófonos, algo que aqui não se verifica. Apesar de alguns dos níveis não serem tão apelativos em termos de merecerem ser revisitados e do meu nível de fascínio inicial ter desvanecido como jogador casual conforme ia desvendado a variedade de jogos disponíveis, este título não deixa de ser uma boa opção para partilhar com família e amigos, graças à suas batidas viciantes e desafios que agradarão a todos os tipos de fãs.

Foto de Pedro Gomes - Autor na Geekinout
Autor

Pedro Gomes

Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.