Nem tudo é mau: 4 coisas que a Xbox acertou nesta geração
- por Jorge Loureiro
- 16 de junho, 2026
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A Xbox está a passar por mais uma "tempestade". É já a segunda na atual geração de consolas e, mais uma vez, promete deixar um rasto de destroços entre os Xbox Game Studios. E para recordar, da primeira "tempestade" resultou o encerramento de quatro estúdios, entre eles a Tango Gameworks, criadores de The Evil Within e Hi-Fi Rush, e a Arkane Austin, responsável por Redfall.
Agora, segundo o Bloomberg e The Verge, há mais estúdios na mira da destruição, tais como a Compulsion Games, Double Fine, Ninja Theory, e alegadamente, a Arkane, que está a desenvolver um jogo baseado em Blade da Marvel, também está em risco de encerrar. O fecho destes estúdios é a consequência de uma gestão desgovernada da Xbox nos últimos anos, que adquiriu várias produtoras em rápida sucessão (para alimentar o catálogo do Game Pass) e financiou jogos que não foram rentáveis.
O objetivo principal é aumentar a rentabilidade da divisão, algo que a nova CEO Asha Sharma sublinhou ser crucial no futuro.Todavia, no meio deste clima negativo – e reconhecendo que tenho sido bastante crítico das decisões da Xbox –, acho importante recordar que nem tudo o que a marca fez nesta geração foi mau.
Neste artigo, vamos recordar quatro coisas nas quais a Xbox acertou e até contribui positivamente para a indústria:
1. Retrocompatibilidade com a Xbox & Xbox 360
Enquanto a PS5 apenas é retrocompatível com os jogos PS4, e a Nintendo Switch 2 com os jogos da primeira Switch, a Microsoft foi mais longe com as suas consolas. Adicionou retrocompatibilidade com jogos desde a primeira Xbox. É certo que a lista de títulos da Xbox original e da Xbox 360 é limitada e não inclui todos os jogos lançados para essas consolas, mas o esforço que a Xbox fez na preservação é notável. Colocar um disco da primeira Xbox e jogá-lo na Xbox Series X parece surreal, mas é possível.
2. Xbox Game Pass mudou o paradigma
Apesar de a necessidade de alimentar o catálogo do Xbox Game Pass ter conduzido a Xbox ao seu estado atual – na esperança de atingir os 100 milhões de subscritores –, existe outro lado da moeda. Quando o serviço foi lançado, em julho de 2017, veio mudar o paradigma. A possibilidade de jogar o catálogo first-party da Xbox num serviço de subscrição – ficando mais barato do que comprar o jogo completo de forma tradicional – não só ajudou os jogadores a descobrir novos títulos, como obrigou os principais players da indústria, como a Sony, a mudar o que ofereciam com o PS Plus.
Foi graças ao Xbox Game Pass que hoje temos os patamares PS Plus Extra & Premium, que nasceram precisamente da necessidade de dar uma resposta ao forte serviço de subscrição da Microsoft. Até a Nintendo, que é a companhia mais conservadora dos videojogos, começou a incluir jogos no Nintendo Switch Online, embora com restrições ao catálogo retro. Ainda hoje, o Xbox Game Pass é provavelmente o ponto mais forte da divisão Xbox. A aposta foi certeira; a ambição e a gestão é que podiam ter sido melhores.
3. Xbox Play Anywhere
Isto é algo valioso que apenas a Xbox oferece neste momento, apesar de a PlayStation também lançar jogos para PC.
Quando compras um jogo na plataforma Xbox – que neste momento engloba as consolas Xbox, PCs com Windows e a Cloud –, tens acesso a esse jogo nas três plataformas, sem custos adicionais. Podes saltar da Xbox para o PC, e depois para a Cloud através do smartphone. E tudo isto sem perder progresso, graças a um sistema que sincroniza perfeitamente os teus ficheiros de gravação.
4. Arriscou e financiou jogos fora do comum
Como diz o ditado: quem não arrisca, não petisca. Nos últimos anos, a Xbox lançou uma enorme variedade de jogos e apostou em novas propriedades intelectuais (IPs), algo que já não fazia com tanta frequência desde os tempos da Xbox 360.
Acredito que o grande problema tenha sido o modelo de negócio e não os jogos em si. Lançar todos os títulos no "dia um" no Xbox Game Pass não só canibalizou as vendas, como retirou peso e importância aos próprios jogos – com o serviço, é demasiado fácil instalar um jogo, experimentar um bocado e nunca mais lá voltar. Devido ao baixo custo da subscrição (especialmente nos tempos em que era possível obter três meses de Game Pass por 99 cêntimos), os videojogos perderam valor aos olhos do consumidor. Pelo menos, é esta a minha visão sobre o assunto.
E para ti, quais foram as coisas nas quais a Xbox acertou nesta geração? Achas que ficou alguma coisa em falta na lista?
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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