Entre a nova nomenclatura e o longo legado reconhecido mundialmente como FIFA, dista pouco mais do que o sentido de uma actualização ou renovação anual do jogo de futebol da EA Sports que atravessou gerações e décadas, conheceu uma multitude de plataformas e abraçou o formato competitivo. Curiosamente, o último jogo que analisei e joguei de uma série que conheço e jogo desde a sua origem (FIFA International Soccer, 1993, para a Mega Drive) foi FIFA 21. Alguns anos volvidos, eis-me novamente a desafiar defesas e arriscar tentos de belo efeito em campos virtuais que pontificam por esse mundo.
Sendo este também o primeiro que jogo na renomeação FC 27, a sensação é de um regresso a casa, a um espaço que na realidade nunca mudou ou desapareceu realmente. Continua aquela apresentação suave e limpa, talvez até demasiado genérica, mas extremamente vincada, a começar pelos toques primários, entre passes e remates e os dribles rápidos ou executados com a bola colada ao pé.
Versão testada: PS5
Código enviado por: EA
O espaço temporal que passou deixa-me mais periclitante no momento do remate ou diante do guarda-redes. Há coisas que só melhoram e se aprimoram com a prática, ainda que a sensação de um produto visto esteja toda lá. Isto não invalida que seja sempre um desafio olhar para um videojogo que no fundo se apresenta como o recomeço de um campeonato, a tradição da temporada futebolística que congrega os fãs em acesas partidas e torneios online. Numa indústria em que o tempo para arriscar ideias novas, conceitos novos e abrir elementos criativos de forte identidade parece definitivamente afastado, as edições anuais deixam-nos também diante da angústia de uma espécie de revisão da matéria.
Por muito que goste de jogar o futebol virtual na sua feição mais próxima da simulação, ao efectuar esta análise revejo-me mais uma vez diante daquela posição de quem vai efectuar uma análise clínica e verifica se os níveis apresentados nos resultados estão mais altos ou mais baixos. Este "check-in" quase formal não deixa de assombrar a indústria desde há décadas. Não se entenda isto como uma crítica à fórmula, mas o que sinto sempre que faço uma análise a FIFA (e fiz mais de uma dezena delas num passado não muito distante) é como colocar uma série de vistos numa grelha de tópicos a verificar.
Maior pendor online e social assente em The Grounds
Na sua vertente competitiva e social, o futebol é um desporto que agrega nacionalidades, países e continentes. A ideia ganha reflexo neste enxerto The Grounds, uma solução que funciona como uma espécie de globo composto por áreas de diferente tratamento e no qual o representante do jogador, uma "persona" do futebol virtual, ganha identidade e se incorpora numa série de desafios pensados para o multijogador. As possibilidades são avassaladoras e os desafios constantes, embora o online (vide, uma subscrição) seja obrigatório.
Para quem prefere jogar por si só contra o computador, a exploração deste modo aberto exige algumas concessões e disponibilidade para jogar em rede, o que pode ser logo um desapontamento. Confesso que sou hoje menos jogador online do que já fui, embora perceba que o futebol sobreviva pelas dinâmicas sociais. Ponto que seguramente não será considerado por quem jogue FC na vertente competitiva com amigos, pelo que será extra ou bónus cumprir esta caminhada em permanente actualização.
Estas zonas de agregação possuem uma identidade marcada pelo futebol de rua, pelas peladas e confrontos que podem ir do mais elementar da peladinha até ao campo de betão e relvado. Os desafios divergem, no entanto, e tendem a incorporar certos elementos regionais para uma mais fácil identificação, com destaque para as ruas europeias inglesas e francesas. Está também associada uma tabela de crescimento do jogador perfilhado para estas andanças a nível local e online. A exploração livre e em mundo aberto funciona como um óptimo prospecto futebolístico, ainda que repouse demasiado nas funcionalidades online e na estrita dependência de uma subscrição.
Entre o modo carreira e o Ultimate para uma maior envolvência
FC sem progressão da carreira não seria verdadeiramente um produto da EA Sports. Seja a treinar uma equipa ou a ajudar ao crescimento de uma equipa, o que parece verificar-se neste ramo é uma tentativa de incorporar elementos mais sonantes do futebol, especialmente nas capacidades atléticas dos jogadores. Isso contribui para fortalecer o colectivo nas situações de sucessivos bons resultados, participações em jogos, golos, assistências, passes, etc. Uma série de maus resultados advenientes de uma menor preparação pode afectar os melhores, pondo como elemento central a gestão do plantel face aos inúmeros desafios.
As contratações tornaram-se expeditas, embora continuem a ocupar um papel central pelas suas dinâmicas e imprevisibilidade do mercado. Investidas rivais de última hora podem fazer perigar um negócio vantajoso e as questões salariais, o tempo de contrato e a posição ocupada e percurso do jogador levam a gerir cautelosamente o orçamento para a temporada. Ainda assim, deparei-me com alguns desfasamentos face à realidade e actualização deficiente dos plantéis já com os campeonatos em curso, o que não deixa de ser algo errático por parte de quem prefere as actualizações e a concomitância com o futebol real.
Já o modo Ultimate é sempre uma óptima escolha se o objectivo é construir uma equipa de sonho, ainda que isso obrigue a um investimento continuado não só no modo de jogo, como na formação do plantel e das constantes partidas a que o mesmo é sujeito. Aqui os pontos de consolo derivam do próprio conteúdo disponível e dos jogadores que podem contratar e formar. Gostei da apresentação, organização e gestão das opções, funcionando como um modo mais gratificante quando é depositado mais empenho.
Uma jogabilidade e apresentação familiares
Do ponto de vista da troca de bola, passes, remates e dribles, o meu relativo distanciamento da série face aos últimos anos não me impediu de reconhecer e começar a empregar certas técnicas assimiladas na memória. É uma jogabilidade familiar, mais trabalhada, porventura menos assistida em certos pontos e cheia de possibilidades defensivas e ofensivas. Sem entrar nos aspectos que possam ser vistos como melhorias ou retrocessos, parece-me que é um jogo que continua a partilhar a mesma identidade com que se formou até recentemente. Há todo um leque de opções que funciona por degraus, desde o futebol mais assistido do primeiro nível até ao total controlo do grau cimeiro de competição. Aqui, também, é o tempo investido que permite uma melhoria e desenvolvimento das qualidades, sendo que o futebol permanece bastante versátil e assertivo.
Do ponto de vista dos visuais, as animações permanecem gratificantes e não temos por base apenas os movimentos dos jogadores. Há todo um ambiente ao redor do relvado e calor projectado pelas bancadas que permanece fiel a uma transmissão televisiva de um jogo de futebol. Os rostos dos jogadores sobressaem, ainda que o destaque vá para os jogadores emblemáticos e titulares.
Prós:
Variedade de desafios em The Grounds
Versatilidade do sistema de jogo
Ultimate permanece uma boa alternativa
Animações e movimentos
Contras
Alguns erros e dificuldades em ter plantéis actualizados
Exclusividade online em The Grounds
Alguns modos permanecem quase idênticos aos de FIFA