Como descrever este novo jogo de forma simples? Gears of War: E-Day é uma prequela fortíssima, com uma campanha intensa e emotiva e um pacote completo de modos, nos moldes a que a saga nos habituou. Não reinventa a fórmula, mas recorda-nos porque é que ela funciona e porque é que, passados tantos anos, Gears of War continua a merecer a coroa dos jogos de tiros na terceira pessoa com mecânicas de cobertura.

Passaram sete anos desde Gears 5, e durante esse tempo a própria Xbox passou por mudanças radicais. Os exclusivos deixaram de ser exclusivos, a estratégia passou a ser multiplataforma e houve muitas aquisições (e também encerramentos de estúdios). Entretanto, tudo voltou a mudar. Gears of War: E-Day, que inicialmente teria uma versão para a PlayStation 5, passou novamente a ser um exclusivo, pelo menos nas consolas.

E tal como a Xbox, que agora parece mais focada em regressar aos valores tradicionais da marca e reconquistar os fãs que se foram perdendo, Gears of War: E-Day aplica a mesma ideia, pelo menos do ponto de vista narrativo. A The Coalition recuou no tempo até ao dia em que os Locust emergiram do subsolo e mudaram Sera para sempre. E é precisamente nesse regresso às origens que E-Day encontra a sua força.

Para o bem e para o mal, este é um Gears of War clássico. Quem jogou os anteriores, vai sentir-se imediatamente em casa. E mesmo para quem não conhece, é um excelente ponto de partida porque, afinal, narrativamente este jogo representa mesmo o início do confronto entre os humanos e os Locust.


  • Versão testada: PC

  • Data de lançamento: 6/10/2026

  • Estúdio: The Coalition

  • Código enviado por Xbox

  • Compra na Instant-Gaming por 49.19 €


Uma campanha que explica Marcus e Dom

A campanha de E-Day é ação do princípio ao fim. A sério, para quem procura um jogo de tiros com uma campanha tradicional, esta é uma das apostas mais seguras do ano. Há poucos momentos de pausa, e mesmo esses servem quase sempre para preparar o próximo confronto. Mas para além dos tiroteios e dos milhares de Locust que vão explodindo pelo caminho, este jogo tem um forte pilar emocional. Gears sempre foi conhecido pela testosterona em excesso de personagens mais largas do que os armários de roupa lá de casa, mas aqui acerta em cheio no lado emocional. As personagens são duras, mas não são feitas de ferro, e isso ajuda a aproximar-nos do elenco. Não apenas de Marcus Fenix e Dom, mas também das restantes personagens de apoio.

E o jogo não vive apenas da ação. Há algumas secções em que, honestamente, quase se transforma num jogo de terror, com zonas escuras e assustadoras, e com a horda de Locust a gritar e a surgir de surpresa de várias direções. É uma mudança de ritmo que resulta muito bem, e que recorda algo que a série foi esquecendo com o tempo: os Locust são, acima de tudo, criaturas aterradoras.

Terminei a campanha em cerca de 13 horas, na dificuldade normal. E, ao contrário de muitos jogos lineares, fiquei com vontade imediata de repetir numa dificuldade mais elevada. Os imensos colecionáveis espalhados pelos níveis também dão uma boa razão para revisitar cada capítulo. Dito isto, os modos Multiplayer e Horde podem multiplicar a longevidade em várias horas se estiver disposto a explorá-los

Sabe a Gears, mas com alguns twists

A jogabilidade continua Gears até ao tutano. Os controlos estão bem afinados, cada movimento tem aquela sensação de peso tão característica, e o sistema de abrigos continua a ser dos melhores do género. A variedade de armas é enorme, e todas elas transmitem sensações diferentes. Cada uma tem o seu momento certo, e parte da diversão está em perceber qual usar em cada situação.

A novidade mais evidente são as secções em mundo aberto, com objetivos secundários. À partida, podia parecer uma concessão às tendências do mercado, mas aqui fazem sentido. Ajudam a reforçar a sensação de que Kalona é uma cidade em guerra aberta, onde o perigo não está apenas no caminho principal.

É verdade que, por vezes, vais passar pelos mesmos sítios em momentos diferentes da campanha. Mas não considero isto um ponto negativo. A cidade vai ficando cada vez mais destruída, o que ajuda a reforçar a passagem do tempo e os danos provocados pelos Locust.

A outra novidade é a personalização. As armas podem ser equipadas com imensos perks, e o mesmo acontece com a armadura e com a habilidade especial. Isto permite moldar o estilo de jogo e dá à progressão uma profundidade que a série nunca tinha tido.

Ainda assim, é aqui que está a minha única crítica. E-Day não reinventa a fórmula de Gears of War. Os twists funcionam e são bem-vindos, mas a estrutura base é a que já conhecemos há quase 20 anos. Para muitos fãs, isso vai ser exatamente o que querem. Para quem esperava uma revolução, pode saber a pouco.

Um pacote completo, como antigamente

Numa altura em que muitos jogos apostam apenas na campanha ou apenas no multijogador, E-Day oferece tudo. Além da campanha, regressam o modo Horde e o Multiplayer, o que faz dele uma proposta muito forte para quem procura um jogo para muitos meses.

O multiplayer, goste-se ou não, continua a girar à volta da caçadeira (gnasher), pelo menos das partidas que fiz. Existem outras armas, mas o potencial desta arma para fazer one-shot, combinada com a jogabilidade de correr e avançar e cobertura em cobertura, tornam a caçadeira numa das armas mais eficazes.

Já o modo Horde, está presente numa variante chamada Horde Siege, com uma escala mais épica. Continua um modo PVE, mas agora com 12 jogadores em modo cooperativo, sepearados em três esquadrões, com vários objetivos opcionais e um principal para completar.

A campanha também pode ser jogada em cooperativo de forma mais fácil do que nunca, já que é possível juntarmo-nos a outros jogadores através de lobbies abertos. Para quem não tem sempre um amigo disponível para fazer de Dom, é uma funcionalidade que faz a diferença.

Visualmente, um dos jogos mais impressionantes da geração

Joguei no PC, e a qualidade visual de E-Day impressiona. Os cenários são destrutíveis, a iluminação é realista, as caras das personagens são praticamente fotorrealistas e a quantidade de detalhe em qualquer cena é absurda. Há momentos em que dá vontade de parar só para olhar à volta, mesmo com os Locust a aproximarem-se.

Prós

  • Campanha intensa, com ação do princípio ao fim

  • Jogabilidade afinada, com sensação de peso e grande variedade de armas

  • Secções em mundo aberto que reforçam a sensação de guerra em Kalona

  • Personalização de armas, armadura e habilidade especial

  • Pacote completo com Horde, Multiplayer e campanha cooperativa com lobbies abertos

  • Muitos colecionáveis e bom valor de repetição

  • Qualidade visual impressionante

Contras

  • Não reinventa a fórmula de Gears of War