O universo Minecraft é um dos mais bem-sucedidos nos últimos tempos, tornando-se num verdadeiro fenómeno cultural que se manteve até aos dias de hoje e já recebeu uma adaptação cinematográfica no ano passado e alguns spin-offs que procuram introduzir o mundo a fãs de diferentes géneros.
Um desses spin-offs foi Minecraft Dungeons, um Action RPG na veia de títulos como Diablo e Path of Exile com ênfase em loot e montes de monstros para derrotar com lançamento em 2020. Com mais de 25 milhões de jogadores a aventurar-se no título original - número catapultado pela disponibilidade no Game Pass - era apenas natural que uma sequela chegasse às mãos dos jogadores.
Com uma nova jornada pela frente, agora num mundo aberto, várias refinações de jogabilidade pedidas pelos jogadores e imenso novo loot para arrecadar, a diversão a solo ou em grupo regressa nesta nova sequela. Com a versão 1.0 de Path of Exile 2 a sair em dezembro e a de No Rest for the Wicked a ter sido adiada para 2027, há aqui uma boa janela para esta experiência brilhar junto dos fãs do género, mas será que este foi um bom passo em frente para a série?
Versão testada: PC (Steam)
Produtora: Mojang Studios
Género Ação / Cooperativo
A misteriosa dimensão Sift
O Overworld vivia um período de paz aparente, algo quebrado pela abertura de misteriosos portais ligados à dimensão Sift, local que contém poderes desconhecidos, mas que estão a ser aproveitados para o mal. O Illager High Council apropriou-se da dimensão e está a criar estes portais para transportar as suas hordas de criaturas para tomar conta do mundo, por isso está na hora de largar a picareta e empunhar algo mais afiado e heroico de forma a repor a ordem.
Minecraft Dungeons II apresenta uma história simples que para mim não é de todo o ponto forte da experiência. Tenho que admitir, não sou grande conhecedor deste universo, portanto o contexto geral da narrativa até me pode ter passado inteiramente ao lado, mas o enredo apenas coloca uma ameaça no seu centro que não tem um papel muito proeminente na aventura em si e aparece de forma bastante ocasional, o que dá um baixo nível de urgência em relação ao que se aproxima. Também o desafio final da missão principal não é imensamente satisfatório, colocando um término à aventura com um local visualmente apelativo, mas com um último obstáculo aquém das minhas expectativas.
A não favorecer a narrativa de todo, estão as cinemáticas. Ainda que estejam relativamente bem animadas e a narração seja agradável, a nível visual a qualidade deixa imenso a desejar, com uma resolução aparentemente baixa e detalhes que ficam abaixo da jogabilidade normal. É raro encontrar jogos com cutscenes que são menos visualmente satisfatórias do que a restante experiência, mas é algo que infelizmente acontece aqui.
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Roupas feitas para um herói
Uma das alterações presentes nesta sequela é a separação das secções de armadura, que agora são distribuídas em 4 peças distintas em vez de uma só, permitindo misturar vários ingredientes para o sucesso. Com quatro tipos de raridades disponíveis, os que ficam acima do grau “comum” estão munidos de efeitos como proteção adicional a ataques ranged ou aumentos ligeiros da raridade dos drops, com alguns efeitos únicos que estão guardados para o patamar mais elevado.
Do lado dos armamentos, temos as armas corpo a corpo e as de longo alcance que são igualmente úteis e variadas de forma a serem adaptadas aos diferentes tipos de jogabilidade. Com arcos a possuir alcances e velocidades de disparo variados e espadas com golpes rápidos e ágeis ou marretas mais lentas, mas que possuem maior nível de dano por pancada, é possível escolher como fazer frente aos confrontos. Por exemplo, uma das armas que me carregou nas últimas partes foi um martelo que causava explosões com cada impacto no solo que era perfeito para fazer quantidades enormes de dano em área.
Existem também Artifacts que dão efeitos ativos muito úteis durante o combate, como o de estender uma toalha de piquenique que gera comida para recuperar os pontos de vida, um tambor potente que serve para criar distância para os inimigos ou mandá-los de uma ravina abaixo ou até vários instrumentos que fornecem buffs ofensivos ou defensivos ao jogador. A complementar isso estão os Talismans com 3 níveis de evolução que podem gerar um companheiro canino e fornecer ligeiros efeitos passivos que infelizmente não eram tão pronunciados como a alternativa anterior. Estes dois tipos de equipamento oferecem 3 slots para cada um deles, permitindo ainda assim a criação de builds variadas em conjunto com os restantes equipamentos.
Para refinar isto tudo, temos os NPCs das cidades que permitem adicionar buffs aos diversos equipamentos com efeitos bem úteis e é também possível manter o Power Level dos mesmos caso queiras gastar Gems para manter uma peça que realmente queiras que te acompanhe até ao fim da aventura ao nível do desafio. Contudo, há um bug que te impede de acumular mais do que 9999 gemas ao desfazer materiais: a previsão pode dizer que vais receber, por exemplo, 14000 destas unidades, mas o contador chega aos 9999 e não passa disso, resultando em desperdícios perfeitamente evitáveis dos quais o jogo não te avisa.
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Combates intensos
O estilo de combate popularizado pela série Diablo presente no título original do spin-off está de volta. Com a perspetiva top-down da ação, a missão do nosso protagonista é fazer frente às volumosas hordas de criaturas que preenchem o mundo, isto com recurso ao arsenal bem variado de armaduras, armas e outros equipamentos extremamente útil que tinha mencionado.
Para complementar esse aspeto, existe também uma boa variedade de mobs, alguns dos quais estão confinados a certos biomas e zonas do mapa, enquanto outros se espalham de forma mais homogénea. Temos os tradicionais Creepers que são um barril de pólvora ambulante, Geomancers que criam terreno, algum do qual é explosivo, e arqueiros de longa distância, entre muitos outros. Além disso, existem também os inimigos elite que trazem uma barra de vida mais pronunciada e efeitos nefastos adicionais, desde ataques elementais a maior resiliência ao dano causado.
Os momentos mais intensos de combate estão guardados para as frequentes Emboscadas, que prendem o jogador num espaço confinado e colocam várias ondas de inimigos que devem ser eliminados para desbloquear o caminho, e para os encontros com os bosses. Estes últimos oferecem pouca variedade, sendo possível encontrá-los de forma repetida, principalmente se te aventurares em Dungeons, algo que é feito naturalmente e que acrescenta alguma repetição ao título.
O meu maior problema com os combates é o volume de dano feito de parte a parte. É possível rebentar ou ser rebentado em poucos segundos, com apenas uma poção de vida que é regenerada ao longo do tempo. Esta é muitas das vezes escassa para fazer frente ao nível de dano exagerado que é distribuído pelos inimigos básicos que atacam em conjunto e pelos bosses, e não encontrei nenhuma maneira de aumentar o número que podia ter disponível. Em outros títulos do género é possível emborcar poções de forma a responder às barras de vida a desaparecerem rapidamente, algo que aqui não acontece, obrigando ao recurso a Artifacts que ajudem a manter-nos vivos.
Apesar de ser um sistema de combate sólido e versátil, não é certamente um dos meus favoritos no género. Ao optar por ser acessível a todas as idades e simplificar mecânicas, apesar do problema de dano que mencionei, falta algo de forma a dinamizar um pouco mais este aspeto. A não ser que me forçasse um pouco a variar o meu estilo de jogo, a sensação de monotonia de combate é algo que se ia instalando progressivamente em mim.
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Um mundo mais aberto
Uma das maiores mudanças presentes na sequela é a opção de substituir o layout da aventura: trocando as missões lineares por um mundo aberto interligado. Aqui podes encontrar as missões principais que te guiam pelos 2 mapas disponíveis ao longo da tua jornada, além de vários NPCs que têm também objetivos secundários para serem completados em troca de loot variado, com alguns equipamentos que ostentam a raridade máxima disponível – Unique.
As missões acabam por oferecer algumas horas adicionais de conteúdo, mas não fogem muito da essência do título: vai ao ponto X buscar um item e trá-lo de volta, vais ser emboscado pelo caminho e regressas ao ponto de partida. Se gostas do combate e queres prolongar a diversão, estes são bons desvios para te ajudar a subir de nível e existem algumas boas recompensas que valem a pena, mas sem grande hook narrativo.
Existem também várias Dungeons que oferecem caminhos lineares gerados aleatoriamente em busca do Obsidian Chest ou confrontos contra bosses e inimigos mais imponentes. Nestes últimos, devido à baixa variedade de chefões disponíveis no jogo, vais encontrar inimigos que já defrontaste ou que ainda vais encontrar em missões principais no futuro. Ainda assim, estas masmorras são boas fontes de XP e loot que valem a pena o desvio, apenas que gostava de poder marcá-las manualmente no mapa para me conseguir guiar melhor até lá.
Para ajudar a navegar neste mundo mais expansivo, existe um Wayfinder que guia o jogador a todos os tipos de objetivo, de forma a acomodar jogadores mais jovens e a quem não esteja habituado a open worlds. Infelizmente, este nem sempre é 100% fiável e por vezes levava-me a becos sem saída ou ficava perdido e mandava-me em direções diferentes de cada vez que o ativava.
Heroísmo cooperativo de qualidade
Dungeons II oferece um robusto modo cooperativo, com capacidade de até 4 jogadores partilharem o mesmo ecrã, sendo possível entrar e sair a qualquer momento da aventura. Nestas ocasiões a câmara desprende-se da única personagem em jogo e mantém em foco todos os heróis, criando uma parede invisível caso haja uma distância muito grande entre eles.
Os drops são distribuídos para os jogadores participantes de forma individual, para evitar potenciais loot goblins que queiram açambarcar tudo o que há disponível e o nível de poder dos equipamentos encontrados adapta-se a cada uma das personagens, caso haja algum desnível. Um dos meus pontos favoritos da experiência cooperativa é a possibilidade de alterar as minhas builds rapidamente sem ter que interromper a jogabilidade da minha parceira, tudo isto através de um prático menu que permite trocar o que quiser sem ter que pausar o jogo por completo. Infelizmente, existe um bug persistente que nos impossibilitava a alteração de um ou vários dos nossos Artifacts, obrigando-nos a ter que abrir o menu completo.
Caso um dos jogadores queira aventurar-se a solo e o seu companheiro fique para trás em XP e gear, há a opção de “clonar” os heróis e o seu inventário e partilhá-los com os restantes participantes, um bom método de nos certificarmos de que estamos sempre em pé de igualdade.
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Qualidade visual e otimização
A nível visual, Dungeons II oferece uma decente variedade de ambientes realizados com a icónica estética Minecraft. Desde florestas verdejantes repletas de aranhas letais, locais frígidos com águas geladas até ao misterioso Sift, os locais são visualmente distintos, coloridos e vibrantes num ecrã com bom contraste.
Em termos de otimização para PC, o jogo comportou-se de forma muito boa no seu geral. Com uma RX 9070 XT na resolução 4K, com todos os settings no máximo e apenas um cap de 120FPS, de forma a corresponder ao limite da minha TV, a ação fluida só era quebrada por breves instâncias do infame traversal stutter já bem tradicional de títulos desenvolvidos no Unreal Engine 5, ainda que estes fossem muito breves e pouco incomodativos. Os tempos de carregamento num NVME SSD eram verdadeiramente estonteantes, facilitando constantes Fast Travels que eram concretizados em menos de um segundo, tão rápidos que nem era possível apreciar a arte apresentada nestas transições.
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Estado técnico que deixa um pouco a desejar
Em termos de polimento geral, encontrei alguns aspetos mais negativos além dos que já tinha mencionado previamente. Tive alguns encontros com bosses nos quais eles simplesmente ficavam imóveis e deixavam que desbastasse a sua vida sem qualquer reação da sua parte e encontros com mobs simples em que estes ficavam presos na geometria e simplesmente esperavam que os fosse procurar nos recantos das arenas, havendo também alguns problemas por parte dos inimigos a compreender o desnível do terreno.
Tive também uma ocasião estranha em que interrompi uma sessão do jogo após ser derrotado por um boss e, quando regressei, perdi o fast travel até lá e a sua localização no mapa por completo. É um título que vai precisar de algumas atualizações para aprimorar estas imperfeições que assolam a experiência de forma inconstante e que podem frustrar o jogador.
Prós:
Jogabilidade sólida e intuitiva;
Modo cooperativo bem executado;
Boa variedade de builds;
Visuais coloridos e fiéis à estética Minecraft;
Tempos de carregamento supersónicos.
Contras:
Pouca variedade de bosses;
Cinemáticas visualmente insatisfatórias;
Bugs e imperfeições técnicas;
Volume de dano por vezes excessivo de parte a parte.