A Switch 2 pode não ter começado a sua jornada nas mãos dos jogadores com um vasto cardápio de experiências que justificassem a sua aquisição, com o solitário Mario Kart World a ser o único título de lançamento. Contudo, desde então, a Nintendo tem sido regular em termos de reforçar a presença de várias das suas franquias, numa oferta diversificada que tem sido bem-sucedida a convencer os fãs a fazer a transição. Com os bombásticos Donkey Kong Bonanza e Pokémon Pokopia a serem verdadeiros êxitos e imensas outras aventuras em pouco mais de um ano que têm mantido um bom nível de qualidade, não faltam motivos para dar o salto.
Agora chegou a vez de Splatoon, uma das franquias originais mais recentes da empresa japonesa, premir o gatilho. Com apenas 11 anos no mercado, tendo feito o seu splash de tinta na Nintendo Wii U, esta colorida série de tiros na terceira pessoa tem alcançado um bom nível de sucesso, com o último cálculo feito no final de 2024 a anunciar a ultrapassagem das 30 milhões de cópias vendidas até então.
Normalmente apresentando um maior foco na sua vertente multiplayer, Splatoon Raiders pinta a manta e opta por se dedicar unicamente a uma campanha mais tradicional, servindo também como a minha primeira visita ao universo Splatoon. Resta agora saber se este spin-off single player tem méritos suficientes para captar a atenção tanto dos jogadores que queiram dar o primeiro disparo neste universo como a dos seus fiéis fãs, ou se esta aposta falhou por completo o seu alvo.
Versão testada: Nintendo Switch 2
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Uma acidental jornada em busca de tesouros
Splatoon Raiders tem uma campanha relativamente linear, desbloqueando progressivamente o seu mapa e polvilhando o seu enredo ao longo do progresso pelas várias ilhas, num contraste perante o resto de uma franquia que reconheço mais pelo seu lado competitivo. A história disponível é simples, sem nada de transcendente em termos de narrativa, mas tem o seu certo charme e foi competente em fornecer um fio de ligação ao longo das horas iniciais do jogo até se desbloquear o post-game, algo que me demorou cerca de 11 horas.
Aqui podes encontrar a história de um trio de ídolos de Splatsville, o Deep Cut, constituído pela Shiver, a Frye e o Big Man. Numa viagem pelos ares fora do centro onde decorre o resto da ação da franquia, o seu voo é interrompido abruptamente por uma tempestade caótica que os leva a aterrar de forma catastrófica nas Spirhalite Islands. Acompanhados pelo Mechanic, a nossa personagem jogável, o objetivo inicial é apenas tentar regressar a Splatsville, só que tudo isto muda quando se descobre uma máquina capaz de detetar artigos preciosos nas suas redondezas, algo que leva os nossos protagonistas numa caça ao tesouro.
Rodeados de um espesso nevoeiro que esconde um mundo expansivo com vários biomas e raids por descobrir, uma carrada de loot para resgatar e uma armada de Salmonids que não gostam nada da presença dos nossos Inklings, esta aventura termina com um boss final que parece saído de um jogo do Kirby, resultando numa sequência que serve como um soberbo ponto final em Raiders.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Raids até dar com um pincel
As Spirhalite Islands oferecem um grande número de níveis disponíveis, denominados de Raids, que é onde as tintas principalmente voam. Estes dividem-se em 3 tipos de objetivos.
Existem os percursos mais lineares onde tens de te dirigir aos diversos locais onde os tesouros foram detetados, que funcionam como os locais mais expansivos para o jogador esticar as pernas e conseguir observar melhor os diferentes biomas. Apesar dos níveis iniciais não serem tão apelativos, a partir de meio do jogo estes começam a ficar melhores e com secções de plataformas que são boas adições entre os pontos de interesse. Ainda assim, gostava de ter visto mais caminhos opcionais neste tipo de raids, com mais oportunidades de loot e encontros com inimigos.
Temos também as escavações nas quais é preciso limpar Salmonids de zonas mais confinadas, de forma a obter Power Eggs que permitem progredir em profundidade e escavar os cobiçados baús. Estes são os tipos de raids mais frenéticos e onde vais ficar constantemente rodeado de inimigos cada vez mais perigosos e numerosos.
Por fim, existem os locais abertos onde tens de coletar os Power Eggs para minar um Spirhalite Crystal gigante, levando o jogador a visitar vários cristais mais pequenos onde os Salmonids se aglomeram. Estes foram de longe os meus menos preferidos, já que me obrigavam a andar às voltas pelo mapa até poder cumprir o objetivo principal, sendo, ainda assim, mais toleráveis de se fazer em grupo.
Imagem capturada por Geekinout.pt
Opcionalmente, existem também as raids que são desbloqueadas graças a bússolas que podes encontrar nos restantes tipos de nível. Estas funcionam como os shrines do DK Bonanza ou do Zelda, com percursos de obstáculos nos quais os gadgets e o conhecimento acerca do jogo são testados mais a fundo.
Ao longo do progresso pela campanha principal, vão também aparecendo as raids Spicy e Ultra Spicy, estas últimas desbloqueadas quando chegas ao post-game. Existem também vários inimigos de elite que servem como mini-bosses e Salmonids mais imponentes que guardam as chaves do mistério que se esconde no centro destas ilhas. Estes últimos oferecem desafios bem maiores do que tudo o resto, com mecânicas diferentes que me obrigaram a tirar o dedo do gatilho e repensar a minha estratégia.
Em termos de conteúdo, aqui certamente não há falta dele, mas o teu nível de diversão vai depender da tua capacidade em repetir alguns níveis para fazer frente aos picos de dificuldade aqui presentes, como por exemplo o que ocorre nos momentos finais da história.
Variedade e progressão
Um dos pontos fortes de Splatoon Raiders é a forma como manuseia a progressão do jogador. Este é um looter shooter na sua essência, pelo que há uma eterna batalha por armas que consigam fazer frente à crescente ameaça Salmonid, mas existem muitas outras avenidas de progressão.
Além de um arsenal com raridades que se desbloqueiam ao longo da aventura, existem também os estreantes gadgets que são excelentes aliados para limpar as hordas de inimigos. Com 3 tanques que se focam em tipos de jogabilidade diferentes, existe uma boa variedade por onde escolher, como turrets que disparam de forma autónoma, opções de mobilidade supersónica que mantêm os teus pés encharcados de tinta, ou ataques mais próximos com grandes áreas de eficácia, mas com alguns riscos acrescidos.
Os graus de raridade, não só dos vários tipos de arma à nossa mercê, como também dos acessórios para equipar nos gadgets e no nosso tanque, também vão progressivamente aparecendo ao longo da campanha. Felizmente, os níveis de drops são eficazes a dar valor aos equipamentos mais raros, pelo menos até rolar os créditos, evitando erros de outros títulos do género — nunca irei esquecer o meu trauma com a abundância de lendárias que eram regurgitadas em Borderlands 3, algo que foi sobrecorrigido na sua sequela.

Imagem capturada por Geekinout.pt
O Mechanic também ganha níveis e melhora o dano causado e a sua frágil barra de vida; a nossa base pode igualmente ser expandida e melhorada, o que permite desbloquear várias maneiras de aperfeiçoar as nossas ferramentas, com a ajuda de Spirhalite e outros itens encontrados pelo mundo fora. Podes até melhorar a tua amizade com os membros do Deep Cut para melhorar os seus ataques especiais e desbloquear vestimentas novas para o teu protagonista ao completar certas tarefas.
Tudo isto vai acumulando de forma a que aqueles números que aparecem no ecrã referentes ao dano causado pela nossa personagem sejam cada vez maiores, o sonho de qualquer fã do género. E é graças a estas diversas alavancas de progressão que me mantive preso ao ecrã, à procura de formas de melhorar a minha eficácia em campo, sem nunca sentir que estava estagnado. Para quem gostar de realmente espremer ao máximo os números, Raiders oferece maneiras de fazer minmaxing, mas se fores como eu, que prefere ser mais casual na otimização de builds, irás igualmente encontrar uma experiência que te levará ao sucesso.
Diversão em companhia
Se procuras parceiros com quem pintar a manta, Raiders oferece algumas maneiras diferentes de o fazer de forma cooperativa, com até 2 jogadores adicionais. Podes criar um lobby e convidar os teus amigos, mas aqui não existe couch co-op, obrigando a que cada um dos jogadores tenha a sua Switch 2 e uma cópia do jogo, não estando disponível sequer a opção de Gameshare.
Alternativamente, podes pedir ajuda caso estejas preso numa Raid mais imponente, ou disponibilizares-te para ajudar outros jogadores por via online. Para evitar que um jogador force o seu sucesso ao longo da campanha com constantes pedidos de auxílio à comunidade, sem se preparar devidamente para o crescente nível de exigência, há um período de cooldown envolvido. Infelizmente, isto acabou por levar a situações em que procurava membros para tornar os níveis mais dinâmicos e caóticos, mas esse mesmo mecanismo invalidava por completo as minhas tentativas. Já havendo a opção de escolha entre as diversas dificuldades para evitar usos recorrentes de jogadores com maior dificuldade a progredir na história, isto é algo que pode causar algumas frustrações nas missões mais exigentes do conteúdo pós-créditos.
Uma pintura melhorada
Dois aspetos extremamente sólidos durante as minhas horas a completar a campanha de Splatoon Raiders são o nível de otimização e polimento disponíveis. Em termos de bugs, a experiência está absolutamente imaculada, e em termos de performance fiquei completamente boquiaberto. Mesmo em níveis com a ajuda de outros 2 Inklings, vários gadgets a funcionar ao mesmo tempo, tinta a voar por todos os lados e um exército de Salmonids presente, não notei lag absolutamente nenhum nem perda de qualidade de imagem, um verdadeiro feito por parte da equipa responsável.

Imagem caputada por geekinout.pt
Já em termos de visuais, o título é um saco misto. Os ambientes iniciais são despidos de cor, extremamente neutros e sem vida, algo que só as nossas armas e a presença inimiga servem para aliviar. Alguns dos biomas mais tardios, como as cavernas repletas de lava e as tundras frígidas, melhoram um pouco a situação, mas este não deixa de ser um mundo desinspirado que falhou em me encher a vista. Pelo lado mais positivo, os efeitos da tinta e a atenção aos detalhes em termos da física do mundo envolvente acrescentam algum interesse visual às Spirhalite Islands.
A banda sonora é caótica e por vezes desafinada, algo que assenta que nem uma luva à ação explosiva que ocorre no ecrã nos coloridos tiroteios, mas não é algo que me tenha ficado no ouvido ou que procure ouvir fora do jogo.
Prós:
Otimização soberba, nunca vacilando mesmo em momentos frenéticos
Progressão constante e com várias vertentes
Jogabilidade satisfatória e viciante
Sólida variedade de inimigos
Diversidade para vários estilos de jogo
Boss final é um momento alto da experiência
Contras:
Picos de dificuldade ao longo da campanha
Mundo visualmente desinspirado
Limitações de cooperação desnecessárias
9/10
Veredicto
Splatoon Raiders é uma aposta vencedora no que toca a spin-offs, e não só, ao ser bem-sucedido a aplicar a fórmula da franquia numa vertente mais linear, suportada por um enredo que, apesar de não ser nada de fenomenal, é satisfatório o suficiente para me guiar ao longo das 11 horas até rolar os créditos. A jogabilidade viciante e satisfatória, o constante sentimento de progressão a cada raid completada (ou não), a otimização de excelência e um desafio final que firmemente aplica o selo de qualidade são motivos mais que suficientes para justificar uma visita às Spirhalite Islands. É um título com um núcleo simples, mas que é implementado de forma exímia, facilmente cativando um fã do género sem deixar os curiosos para trás, num título que considero ser o meu favorito da Switch 2 de 2026 até ao momento.
Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.



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