Mesmo com a crise de preços de memória RAM e SSDs a fomentar rumores de atrasos, a próxima geração de consolas parece continuar no caminho previsto. Pelo menos, é isso que sugere a mais recente atualização do leaker KeplerL2, uma referência em fugas de informação sobre hardware AMD, partilhada esta semana no fórum NeoGAF.
Quando questionado se os chips da PS6 e Xbox Project Helix já tinham passado por tape-out, Kepler confirmou que sim para ambas as consolas. O termo refere-se ao momento em que o design final de um chip é enviado para a fábrica de semicondutores para produção das primeiras amostras físicas, a fase que separa "o chip existe no papel" de "o chip existe fisicamente".
Não significa produção em massa para chegar aos consumidores, mas é um passo importante para uma nova consola. Normalmente, é preciso esperar entre um a dois anos desde o tape-out até à chegada ao mercado, o que encaixa com os rumores de lançamento no Natal de 2027 para ambas as consolas.
Kepler adiantou também números de desempenho: 40 TFLOPS para a PS6 e 56 TFLOPS para a Xbox Project Helix. Comparado com a atual geração, a PS5 tem 10,28 TFLOPS e a Xbox Series X atinge os 12,15, o que colocaria a PS6 perto de 4x acima da PS5, e a Helix 4,6x mais poderosa do que a Series X.
Só que há um "mas" nesta comparação de poder...
A forma como a Kepler está a contar TFLOPS, baseada num método de "FMA-throughput", pode não ser diretamente comparável à forma como a PS5 e a Series X anunciaram os seus números na altura.
Já aconteceu algo semelhante entre as gerações RDNA2 e RDNA3 da AMD, os TFLOPS subiram muito no papel, mas o ganho de desempenho "verdadeiro" ficou aquém dessa diferença, porque a metodologia de contagem mudou.
Ou seja, o salto real pode não chegar aos 4x sugeridos pelos números brutos. A isto, há que somar outros factores com a largura de banda de memória, hardware de ray tracing, desempenho do CPU, limites de energia e a otimização de cada estúdio, que pesam tanto ou mais do que o TFLOPS de pico na experiência final do jogo, já para não falar de tecnologias de upscaling como o PSSR da Sony ou o FSR Diamond da AMD.
Este tape-out reforça também a ideia de que a data de lançamento, que de acordo com vários rumores está definida para o final de 2027, continua de pé, apesar da crise de componentes provocada pela procura de memória para centros de dados de IA, que tem feito disparar os preços em todo o setor.
Segundo a mesma fonte, os contratos de produção destes chips já estão assinados para o segundo trimestre de 2027, o que tornaria um atraso mais caro do que simplesmente absorver o custo elevado da memória.
Importa sublinhar que nada disto é oficial. Nem a Sony, nem a Microsoft, nem a AMD confirmaram qualquer destes detalhes, e apesar do histórico da Kepler em leaks de hardware ser geralmente credível, continua a tratar-se de informação não confirmada, sujeita a mudar até ao anúncio oficial.