A Sony publicou uma nova política de anti-assédio, mas alguns sites transformaram isso numa conspiração contra os fãs do formato físico
- por Jorge Loureiro
- 2 de setembro, 2026
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A PlayStation publicou no seu site oficial japonês uma política de proteção dos seus funcionários contra assédio por parte de clientes.
É um documento com linguagem corporativa padrão, que proíbe comportamentos como ameaças, linguagem abusiva, difamação, condutas discriminatórias e sexuais, visitas não autorizadas às instalações. e exigências excessivas ou repetidas.
Até aqui, nada de extraordinário.
Mas alguns sites de gaming, incluindo o Polygon, IGN e Eurogamer Portugal pegaram neste comunicado e construíram um ângulo muito diferente: o de que a PlayStation está a usar esta política para silenciar os fãs que protestam contra o fim dos jogos em formato físico a partir de 2028.
Vamos ao que é facto e ao que é especulação.

Imagem via Polygon
O que diz a nova política da PlayStation
O comunicado da Sony é, na sua essência, uma política anti-assédio genérica, que não menciona em nenhuma parte os protestos online contra os jogos em formato físico.
É um tipo de documento que se tornou comum entre grandes empresas japonesas nos últimos anos, especialmente após legislação específica sobre este tema no Japão. O país tem um problema cultural com o fenómeno do assédio de clientes, em que clientes abusam sistematicamente de trabalhadores do setor de serviços, grande parte das vezes com impunidade. Várias empresas japonesas de grande dimensão, incluindo da área tecnológica e do retalho, publicaram políticas semelhantes nos últimos anos como resposta a esta realidade.
Os comportamentos listados pela Sony como inaceitáveis incluem linguagem abusiva, ameaças, intimidação, condutas discriminatórias ou sexuais, visitas não autorizadas às instalações e "exigências persistentes e repetidas" ou "exigências não relacionadas com produtos ou serviços". A política indica que, em caso de violação, a Sony pode restringir ou suspender o acesso ao serviço de apoio ao cliente e, se necessário, cooperar com as autoridades.
O Polygon e outros sites focaram-se nas expressões "exigências persistentes e repetidas" e "exigências não relacionadas com produtos ou serviços", argumentando que esta linguagem descreve o tipo de protesto que os fãs dos discos físicos têm feito nas caixas de comentários da PlayStation desde julho de 2026.
A leitura é possível, mas cai por terra se analisarmos melhor.
O documento não menciona os discos físicos em lado nenhum, nem comentários nas redes sociais ou outras plataformas da Internet. A Sony não fez qualquer declaração que ligue as duas coisas. E políticas deste tipo têm sido publicadas por empresas japonesas como rotina, sem qualquer agenda por detrás, numa tentativa de colocar um fim a este fenómeno.
A única relação existente entre os protestos contra o final do formato físico e esta nova política é o timing. A PlayStation publicou isto dois meses depois de anunciar o final dos jogos em formato físico. Mas o comunicado apenas está disponível no site japonês, o que indica que é uma política para lidar com um assunto naquele território específico e não à escala global.
Terceiro, e importa sublinhar isto, esta política é sobre o serviço de apoio ao cliente, não sobre os canais de comunicação públicos da Sony. Criticar a Sony nas redes sociais não é, por definição, assédio de clientes no sentido que esta política regula.
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Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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