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Afinal, a PS5 tem jogos | Opinião do State of Play

Afinal, a PS5 tem jogos
Crédito da imagem: PlayStation (edição por Geekinout.pt)

Afinal, a PS5 tem jogos ou não?

Esta tem sido uma das críticas mais frequentes nesta geração e, parcialmente, concordo com ela. Obviamente que se trata de um exagero, pois a consola tem jogos — sobretudo se considerarmos a quantidade de lançamentos third-party —, mas existe a sensação de que, comparativamente à geração anterior, ou até mesmo à PS3, o catálogo de exclusivos não é tão forte.

E não acho que os jogadores estejam errados. Nesta geração, a Sony fez apostas erradas, e exageradas, em jogos como serviço. Ainda que daqui tenham surgido sucessos como Helldivers 2, houve centenas de milhões de dólares desperdiçados em projetos deste género que acabaram cancelados ou que, em casos mais extremos como Concord, foram lançados e rapidamente removidos do mercado.

Esse dinheiro desperdiçado (que incluiu um God of War live-service que nunca viu a luz do dia e que acabou por levar ao encerramento da Bluepoint Games) poderia ter sido usado para produzir as experiências single-player pelas quais a PlayStation ficou famosa.

No entanto, no State of Play de ontem, reparei numa mudança de rumo. Não houve qualquer menção a jogos como serviço. Fairgame$, que é um dos próximos grandes títulos desse género da PlayStation, nem sequer apareceu. Em vez disso, a apresentação focou-se sobretudo em experiências a solo. Houve algumas exceções, como Kemuri, que inclui um modo cooperativo online, mas que ainda assim pode ser desfrutado inteiramente a solo.


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Ontem, durante mais de uma hora, a PlayStation mostrou-nos as novidades que vão chegar à sua consola ao longo de 2026 e de 2027. Alguns dos jogos apresentados já estavam confirmados para este ano, mas o evento serviu para solidificar o calendário e colocar datas concretas de lançamento. E serviu também para revelar surpresas agradáveis.

O evento começou com Marvel’s Wolverine da Insomniac Games, que, para mim, é um dos melhores estúdios da PlayStation. Têm lançado jogos a um ritmo imparável: Spider-Man: Miles Morales foi jogo de lançamento na PS5, depois, em outubro de 2023, lançaram Spider-Man 2, e agora, em menos de três anos, vão lançar Wolverine.

Sim, a julgar pelo extenso vídeo de gameplay, Marvel’s Wolverine usa alguns dos alicerces estabelecidos em Spider-Man, mas com a adição da violência e da coragem características de Logan. O jogo também vai contar com a presença de X-Men como Jean Grey, o que deixa as portas abertas para mais títulos no futuro ou para um conjunto de jogos que partilham o mesmo universo, tal como a Marvel fez no cinema.

A minha aposta é que Marvel’s Wolverine vai ser um jogo sólido, agradável e fácil de jogar, tal como os Spider-Man.

Outros destaques incluem Marvel Tōkon: Fighting Souls, que acredito que será a próxima referência nos jogos de luta (afinal, conta com as mãos da talentosa Arc System Works), e Kemuri: Hunt the Unseen. A jogabilidade deste último parece-me interessante, mas o que mais me chama a atenção é o facto de ter o dedo de Ikumi Nakamura — artista que começou a carreira em Okami, trabalhou em Bayonetta e também esteve na Tango Gameworks, onde contribuiu para The Evil Within e Ghostwire: Tokyo. A estética de Kemuri transborda estilo, resta agora esperar que não seja demasiado estilo e pouca substância.

Until Dawn 2 foi outro dos exclusivos apresentados no State of Play. Honestamente, não percebo por que razão a Sony demorou tanto tempo a fazer uma sequela. Existe, contudo, um senão: o jogo está a ser desenvolvido pela Firesprite Games (e não pela Supermassive Games, o estúdio do original), o que me deixa ligeiramente preocupado. A Supermassive tem uma experiência inigualável a fazer jogos deste tipo, enquanto a Firesprite trabalhou principalmente em títulos de realidade virtual, como Horizon Call of the Mountain e The Persistence. A data de lançamento da sequela é 2027 e, apesar de estar receoso, estou também entusiasmado. A ver vamos.

Por último, a grande surpresa da noite: God of War: Laufey. Os rumores eram verdadeiros, o próximo God of War terá Faye, a segunda mulher de Kratos, como protagonista. O jogo começa imediatamente após a sua morte, transportando-nos para um reino nunca antes visto, para onde os deuses vão depois de morrer. É uma forma genial de introduzir divindades de outras mitologias na saga; e estou curioso para ver se Faye vai encontrar os deuses gregos que o seu marido matou e, acima de tudo, se este jogo fará a ponte para o próximo capítulo com Kratos e Atreus.

Apesar das críticas dos jogadores, que acusam a Sony Santa Monica de ter uma "agenda woke" ou que defendem que o nome God of War não deveria ser usado num jogo sem Kratos como protagonista, a verdade é que Laufey tem muito bom aspeto. Já quando o God of War de 2018 foi anunciado, houve resistência à mudança, à nova jogabilidade e à nova atitude de Kratos. Agora, o estúdio muda outra vez de direção e as críticas repetem-se. Pessoalmente, gosto de ver os estúdios a arriscar. Aliás, foi assim que a Naughty Dog fez The Last of Us: Part II — um jogo que quebrou todas as convenções de uma sequela, mas que se tornou num dos mais aclamados de sempre.

Portanto, para responder à questão inicial, parece que, finalmente, a PS5 tem jogos (ou melhor, vai ter). A PlayStation parece ter desviado o foco dos jogos como serviço e isso é uma excelente notícia. Houve, porém, uma grande ausência: Intergalactic, da Naughty Dog, não teve qualquer trailer ou menção. Como o jogo está previsto para 2027, das duas uma: ou as coisas não estão a correr bem com o desenvolvimento, ou o trailer foi guardado para o Summer Game Fest, que decorre já no dia 5 de junho.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.