Durante vários anos, a diversão em formato couch co-op caiu um pouco no esquecimento dos estúdios que se direcionaram mais para o formato cooperativo online. Felizmente, Josef Fares e os membros do Hazelight Studios revitalizaram o género graças ao No Way Out, ao lendário It Takes Two e à sua tirada mais recente Split Fiction, cuja análise podes encontrar na nossa página.

Desde então, muitos mais títulos começaram a apostar em incluir modos splitscreen para facilitar jogatanas na mesma divisão, havendo até a introdução da opção de um Friend Pass que criou outra maneira de poder partilhar a diversão com apenas uma "cópia" do jogo adquirida. Reanimal foi um dos títulos do género a sair em 2026, com Rayman Legends Retold a oferecer mais uma já em outubro, mas, pelo meio, temos um dos jogos que mais antecipava desde que foi anunciado nos The Game Awards do ano passado: Orbitals.


  • Versão testada: Nintendo Switch 2

  • Género: Cooperativo / Aventura

  • Onde comprar: Instant-Gaming


Esta nova experiência mistura uma estética extraída dos animes das décadas de 80 e 90 com uma jogabilidade cooperativa que me parecia replicar de forma fidedigna o modelo popularizado pelo estúdio Hazelight, modelo este que amei partilhar com a minha namorada no passado e que ansiava poder voltar a experienciar por via de aventuras originais em novos universos. Na verdade, Orbitals tem tudo para me encher as medidas em termos de diversão, mas será que esta jornada terá uma órbita de sucesso ou acabará por desvanecer da minha memória num período de grande azáfama no que toca a lançamentos de jogos repletos de potencial?

Aventura pelo espaço

Orbitals Cinemáticas
Imagem capturada por Geekinout.pt

Em Orbitals tomamos conta de Maki e Omura, uma dupla de exploradores inseparável que procura as 3 Reactor Cassettes pelo espaço, sendo estas fulcrais para conseguir proteger de uma vez por todas a sua colónia espacial, local que já passou por uma catástrofe quando os nossos protagonistas eram apenas crianças.

Aproveitando a sua estética anime, este é um título que, para mim, deve ser complementado com a dobragem japonesa de forma a maximizar a veia weeb presente, estando esta realizada de forma consistente. Ainda assim, o constante diálogo ao longo dos níveis começou a tornar-se um pouco cansativo conforme as curtas horas de jogo iam passando, graças às constantes piadas partilhadas entre os protagonistas e o restante elenco que supervisiona as missões, trivializando qualquer urgência que o enredo quisesse causar no jogador, algo que só é aliviado na secção final do jogo.

Ainda que a história seja bem suportada por animações de bom nível reminiscentes dos animes das décadas de 80 e 90, o seu conteúdo não é nada de memorável e os momentos finais que tentam provocar tristeza no jogador acabaram por ser inconsequentes no meu caso. É suficiente para mover o jogador em direção à ação, mas, no final do dia, esperava que todos os esforços em animar as cinemáticas resultassem numa história que ficasse comigo após os créditos rolarem, mas isso é algo que não se verifica aqui.

Esta é também uma experiência bem curta, que acabamos por completar abaixo das 10 horas, uma duração mais curta do que originalmente esperava.

Jogabilidade a dois tempos

Orbitals GameplayImagem capturada por Geekinout.pt

O gameplay aqui presente toma claras inspirações da fórmula popularizada pelos membros da Hazelight Studios, apresentando ainda assim o seu próprio twist.

Orbitals inclui vários níveis lineares que colocam diferentes desafios de plataformas e puzzles para o jogador ultrapassar, ainda que haja um maior protagonismo dos quebra-cabeças em comparação com os títulos de onde advêm as inspirações desta aventura. No início de cada nível, cada um dos jogadores tem de levar a sua ferramenta, que será essencial para fazer frente aos diversos desafios, como um laser que derrete certas superfícies ou um gancho que permite puxar objetos à distância, com momentos pelo meio do caminho que introduzem gadgets novos de forma temporária. Aqui gostaria de ter visto uma maior liberdade para usar as diferentes ferramentas disponíveis para completar os níveis de forma alternativa, algo que não se verifica de todo, o que acaba por tornar inútil o constante processo de "escolher" quais trazer da nave base no começo de cada secção.

Apesar de ser uma experiência consistentemente agradável, graças à forte diversidade de puzzles, o design dos níveis começa com alguns solavancos e existem puzzles que nos prenderam por alguns instantes, resultando numa jogabilidade menos fluida em comparação a títulos semelhantes. Contudo, existem secções onde tudo encaixa e Orbitals consegue recriar a magia de It Takes Two, e por vezes até suplantando-a, graças à sua veia inventiva constante que é realmente resplandecente em determinadas ocasiões.

Por outro lado, estes níveis estão interligados por secções a bordo da nossa nave espacial que criam a ilusão de expansividade, ainda que na realidade o aspeto linear se mantenha. São, no entanto, menos prazerosas de percorrer devido aos seus troços vazios e à pouca variedade de ferramentas ao dispor. Existe também uma repetição constante do processo de embarcar e desembarcar da nave que podia ter sido otimizada, acabando por se tornar cansativa a partir de um certo ponto.


Imagem capturada por Geekinout.pt

É também a bordo da nave que decorrem as poucas lutas disponíveis no título, uma das quais é o boss final da campanha — obstáculo que consegue criar um ponto final satisfatório para o jogo.

Tudo o que mencionei tem de ser aplicado em dose dupla, já que o grande foco aqui é a diversão em conjunto, pelo que é essencial haver protagonismo para ambas as partes. O reforço da comunicação para que Maki e Omura realizem com sucesso as diversas tarefas é fulcral, seja a pilotar a nave ou a pé, e é aqui que está presente o verdadeiro segredo da fórmula, algo que foi replicado de boa forma.

Ainda assim, no seu geral, Orbitals fica um pouco abaixo das experiências das quais retirou as suas inspirações, devido aos tropeços mencionados que acabaram por prejudicar o título.

Charme espacial

Algo que em nada beneficia a jogabilidade em si, mas que merece o devido crédito, é a atenção ao detalhe e o trabalho efetuado para acrescentar imenso charme ao mundo aqui presente.

Pelos níveis fora e pela nossa nave principal, existem imensos pontos de interação que os fãs mais curiosos vão adorar, desde seres adoráveis que podem ser afagados, a sacos de boxe nos quais podemos estabelecer recordes supérfluos, que serviram como uma competição secundária entre mim e a minha namorada, até vários pontos onde te podes sentar e apreciar os arredores.

Orbitals Mini_jogos
Imagem capturada por Geekinout.pt

É também possível encontrar minijogos pelo meio dos níveis que podem ser desfrutados na nave, um ponto de visita central ao longo da jornada principal. Aqui tens jogos rítmicos, duelos de naves contra o teu parceiro e outras experiências nas quais podes distrair-te durante o tempo que quiseres, servindo como boas e breves distrações da missão principal.

Grande parte deste conteúdo podia simplesmente ter sido omitido para haver um foco único na história, mas são estas adições que muitas vezes faltam nos jogos de hoje em dia, servindo como demonstrações de paixão pelos mundos criados pelos estúdios, e que este título tem em muito boa dose.

Um look intemporal

Orbitals parece uma versão interativa de um anime que os jovens das décadas de 80 e 90 veriam na televisão a meio da manhã ou da tarde. Tudo isto é graças à colaboração com o Studio Massket, responsável por animar as várias cinemáticas presentes no título, e ao estúdio japonês Shapefarm, que fez questão de manter a coesão estética na jogabilidade em si.

Com uma fluidez empregue às personagens que transmite os típicos visuais dos animes da época como Cowboy Bebop, uma excruciante atenção ao detalhe nas animações do nosso par de protagonistas, que acrescentam charme aos mesmos, e um mundo visualmente coeso e extremamente apelativo do início ao fim da jornada, este é um título que demonstra que, acima de tudo, uma apresentação não precisa de gráficos de última geração e hiper-realistas para ser um sucesso.

Muitas vezes basta uma ideia coerente e uma sólida direção artística para entregar uma obra que, mesmo daqui a muitos anos, vai reter os seus visuais aclamados e, como tal, por muito que a tecnologia possa avançar em termos de grafismos no futuro, Orbitals permanecerá um verdadeiro deleite visual de forma intemporal — sendo este um dos pontos mais marcantes da experiência no seu geral.

Prós:

  • Visuais fortíssimos que fazem a experiência sobressair;

  • Jogabilidade cooperativa de bom nível;

  • Animações cheias de referências e atenção ao detalhe;

  • Minijogos e interações que acrescentam imenso charme.

Contras:

  • Enredo com bons valores de produção, mas pouco memorável;

  • Secções na nave pouco cativantes;

  • Duração curta da experiência.