Este ano é realmente de celebração para a Capcom, com 3 lançamentos de sucesso até ao momento, um acréscimo de uma expansão a um dos seus títulos com receção mais mista dos últimos tempos a caminho (Dragon's Dogma 2) e agora o ressuscitar de uma das franquias do seu cardápio que já andava desaparecida há 20 anos.
Se Resident Evil Requiem e Pragmata serviram para satisfazer os fãs de tiros na terceira pessoa e de terror, e Monster Hunter Stories 3 cativou os adeptos de um sólido JRPG, Onimusha: Way of the Sword chegou para oferecer uma experiência de combate e ação que retira também inspirações do género soulslike, numa combinação que tem tudo para o sucesso.
É certo que jogos deste género começam a sair de forma um pouco mais frequente do que esperava, pelo que é necessário oferecer uma experiência que se demarque da competição, além do pequeno detalhe de que estes 2 meses estão repletos de lançamentos que vão dar um verdadeiro arrombo à carteira dos jogadores.
Já para não falar que novembro também promete duas bombas a competir pela atenção: The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Grand Theft Auto VI. Assim sendo, será que a boa fé adquirida pelo estúdio japonês tem aqui mais um título que consegue continuar a sua rajada de sucessos, ou será que esta espada de samurai saiu com a lâmina por afiar?
Compra por 46.99€ (versão PC) na Instant-Gaming
Versão testada: PS5
Estúdio / editora: Capcom
Género: Ação
Invasão demoníaca

Imagem capturada por Geekinout.pt
Em Onimusha voltamos aos tempos do Japão feudal para conhecer Musashi Miyamoto, um samurai talentoso à procura de se provar como um mestre da sua arte, que infelizmente se depara com uma invasão sem precedentes dos Genma, uma raça demoníaca que chegou a Quioto para tomar conta de tudo, aproveitando também para consumir o que lhes aparece à frente e espalhar Malice por onde passam.
Com uma ousadia que muitas das vezes o coloca em situações precárias, Musashi acaba por perder a sua vida perante uma horda de demónios. No seu caminho para o inferno, o samurai recebe uma "oferta" que o traz de volta à vida, custando-lhe apenas um dos seus braços, que agora é ocupado pela misteriosa Luva Oni, um misterioso equipamento com imenso potencial. Será que o nosso samurai conseguirá repelir a invasão e libertar-se desta parasítica luva?
O enredo é bom para o género em que está inserido, algo que é fortemente carregado pelo elenco principal presente em Way of the Sword. Musashi é um protagonista cheio de charme e personalidade, cujos esforços de captura facial são perfeitos a capturar a sua essência, enquanto os nossos companheiros ao longo da jornada e também os nossos inimigos têm igualmente os seus momentos para brilhar. Com cinemáticas de excelente qualidade, momentos de evolução das personagens e situações macabras que não se poupam em demonstrar as hostilidades dos Genma, a história aqui presente é um dos pontos fortes da experiência.
Combate viciante e intenso
Imagem capturada por Geekinout.pt
Outro dos pontos mais fortes deste Onimusha é o seu sistema de combate, que é um excelente pilar para a jornada, num estilo que me fez muito lembrar títulos como Sekiro e Lies of P, ainda que este não seja um soulslike.
Musashi é extremamente competente em combate, com ataques e reflexos bem aguçados que lhe permitem bloquear, defletir, ripostar e desviar-se dos vários tipos de ataques inimigos, mas a luva que tem no seu braço acrescenta muito mais ferramentas ao nosso arsenal. Por via da Oni Gauntlet é possível absorver as almas que os Genma deixam para trás durante o combate, utilizar ataques que desfazem qualquer tipo de defesa, ter acesso a um arco e flechas que permitem triunfar em confrontos à distância, e até é possível desbloquear um poder secreto que só é revelado mais tardiamente na jornada.
A Gauntlet permite-nos também usar armamentos Oni que preenchem diferentes nichos de jogabilidade, desde ataques a um só inimigo que dão prioridade à sua barra de HP e extraem almas para recuperar a nossa vida, a outros que afetam uma área maior e são ideais em ocasiões de grande inferioridade numérica, entre outros. Além disso tens muitos mais consumíveis úteis para as lutas, equipamento para melhorar e diferentes tipos de Hozuki Pouches, que são um pouco semelhantes aos Frascos de Dark Souls e servem diferentes tipos de jogabilidade.
Todas as mecânicas vão sendo gradualmente apresentadas ao jogador de forma a nunca se tornarem sufocantes em termos de aprendizagem, deixando sempre espaço para aperfeiçoar as diversas técnicas que são apresentadas e que fazem a diferença entre um duelo bem-sucedido e a morte. O foco dos confrontos passa por usar todo o arsenal à nossa disposição para desbastar as barras de stamina que, ao serem esgotadas, abrem uma janela para infligir um golpe letal em todos os inimigos básicos, sendo até possível deixar vários oponentes sem stamina para realizar execuções em cadeia de forma veloz e estilosa.
Com um excruciante nível de detalhe em cada movimento no calor das lutas, que oferecem um ótimo feedback ao jogador por cada ataque demolidor sucessivamente repelido por Musashi, e animações e efeitos sonoros que aplicam um verdadeiro selo de qualidade, cada um destes encontros suados torna-se num verdadeiro espetáculo que nunca me cansava de observar, numa experiência quase cinematográfica.
A variedade e a repetibilidade dos bosses

Imagem capturada por Geekinout.pt
Existe uma boa variedade de inimigos para encontrar em Way of the Sword, desde os inimigos básicos que recebem inclusões novas até bem tarde na aventura principal, até aos bosses, que é onde os maiores desafios do jogo se encontram.
Estas principais barreiras ao progresso são os momentos em que o combate é realizado na sua plenitude. Ao contrário dos inimigos básicos, os bosses incluem barras de HP e stamina bem maiores, esta última que, ao ser esgotada totalmente, permite a execução de um ataque demolidor. Aqui é possível escolher entre vários pontos chave para atacar, optando entre desferir um golpe que causa mais dano ou um que liberta mais almas, muito úteis para recuperar vida. Existe até um destes inimigos ao qual podes cortar a cauda, deixando-a no meio do campo de batalha, podendo ser usada mais tarde como uma arma de arremesso, algo genial que é infelizmente muito raro de ver no resto do jogo.
Ainda que os bosses iniciais não sejam um desafio demasiado imponente, mesmo estes são extremamente punitivos em relação a qualquer erro ou distração e não hesitam em mandar Musashi ao chão. A partir de meio do jogo, o grau de dificuldade dá um salto e mete o pé no acelerador, com lutas extremamente desafiantes e bem coreografadas que tornam cada vitória numa imensa sensação de orgulho. Contudo, é perto da segunda metade do jogo que também começa a notar-se um dos problemas presentes no título.
Existe uma forte reutilização de alguns destes chefões durante a aventura principal. Ainda que alguns façam sentido em termos narrativos e regressem com um conjunto de movimentos evoluído em comparação ao encontro anterior, há também um par de inimigos que são repetidos de forma excessiva. Ao ponto de me ter deparado três vezes com um deles no espaço de pouco mais de duas horas. A cada reaparição, já estava a suspirar de cansaço, o que mancha a minha impressão do título no seu geral e é um ponto que espero ver melhorado numa potencial sequela.
Hub central e conteúdo secundário

Imagem capturada por Geekinout.pt
A ação desenrola-se em vários mapas mais lineares, que é onde o jogo realmente atinge o seu auge em termos de jogabilidade, com secções inspiradas e sólidas. A interligar todos estes está Quioto, a nossa base de operações e hub central de Onimusha. Quando aqui chegamos pela primeira vez, a capital está sobrecarregada de Malice e Genma, algo que é aliviado com o progresso na história principal, desbloqueando progressivamente este mapa de tamanho considerável.
O design de nível aqui é realmente confuso, algo que torna o uso do Wayfinder disponibilizado absolutamente essencial. É possível marcar o objetivo para o qual me queria deslocar, mas é quase sempre impossível seguir o meu próprio instinto porque ia sempre dar a um beco sem saída ou a uma porta fechada que só conseguia ser aberta do outro lado. Muitas das vezes algo que parecia estar a uns poucos metros de distância estava afinal a um longo e árduo percurso de ser alcançado, num aspeto que levou ao meu desinteresse em tentar completar o conteúdo disponível.
Este conteúdo em si também me causou um misto de emoções. Existem portais Oni onde podes desbloquear novos upgrades para a Gauntlet, que são bem úteis, Lion Dogs perdidos que dão acesso a skins cosméticas para a nossa espada, e dois tipos de missões secundárias. Enquanto um destes tenta misturar misticismo e folclore japonês com pedidos de ajuda por parte dos habitantes de Quioto, o outro resume-se a tarefas de "vai matar Genma ali" ou "encontra este tesouro aqui", com pouca inspiração envolvida.
Ainda que acrescentem mais horas de conteúdo e ofereçam recompensas úteis para melhorar o nosso equipamento, ao serem parcialmente desinspiradas e ao obrigarem-me a navegar o labirinto que é a cidade central, senti-me desmotivado em relação ao que era oferecido. Sinto que a experiência no seu geral beneficiaria de um maior foco na sua linearidade, que é onde boa parte da sua qualidade reside, em prol deste conteúdo que acaba por ser padding desnecessário e retira o foco à campanha em si.
Visuais e animações

Imagem capturada por Geekinout.pt
Os ambientes aqui disponíveis não chegam ao nível dos títulos lançados este ano pela Capcom, nos quais são percetíveis os compromissos visuais através do modo Qualidade disponibilizado, tanto pelas superfícies de água como pelos visíveis artefactos de upscaling. Ainda assim, os efeitos visuais são excelentes e acrescentam imenso eye candy durante a ação frenética.
Onde este título realmente se destaca é pelas animações, algo que já referi previamente, mas que realmente quero frisar. O combate, a história e as personagens são elevados pelo trabalho realizado pelos responsáveis pelas animações, seja nas cinemáticas através das expressões de Musashi e do restante elenco, seja na diversidade de reatividade perante os diferentes ataques desferidos pelo elenco de vilões disponível.
Way of the Sword é mais uma boa aplicação do RE Engine, disponibilizando um modo de 120Hz que beneficia igualmente a ação fluida e demonstra mais uma vez o poderio e versatilidade do motor gráfico da Capcom. Também em termos de estabilidade e bugs, a experiência mantém o brio habitual do estúdio, sem nada que tenha beliscado a minha experiência.
Prós
Combate fluido e extremamente gratificante;
Bosses imponentes e repletos de qualidade;
Animações soberbas, tanto em combate como em cinemáticas;
História interessante com bons momentos;
Elenco com imensa personalidade e carisma.
Contras
Reutilização excessiva de certos bosses;
Exploração em Quioto é confusa;
Conteúdo secundário que sabe a padding desnecessário.