Steam Controller review | Um excelente comando para o seu público-alvo
- por Pedro Gomes
- 21 de maio, 2026
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A Valve não é nenhuma novata no que toca ao lançamento de hardware. Deu os seus primeiros passos em 2015 com as Steam Machines e o Steam Controller — este último com um layout peculiar que conquistou fãs leais — seguindo-se o Valve Index em 2019 e a Steam Deck em 2022. Por isso, quando anunciou uma nova vaga de equipamentos para a PC Master Race com lançamentos apontados para o início de 2026 (novas gerações da Machine e do Controller, além do capacete VR Steam Frame), o hype foi real.
Só que a Valve não contava com uma histórica escassez de RAM e armazenamento que fez disparar os preços de forma insana, para desespero de toda a gente. Forçada a reformular os planos, apenas uma das peças do ecossistema chegou agora às mãos dos jogadores: o comando. Promete encaixar que nem uma luva com o futuro desktop da mesma gama, mas, para já, serve para abrir o jogo em relação às ambições da empresa: oferecer uma experiência de jogabilidade aprimorada no conforto do sofá, transformando o PC não só na máquina habitual, mas também numa verdadeira consola para a sala ou secretária. Infelizmente, o stock esgotou-se de forma veloz nos diferentes mercados, graças a pessoas que, como eu, queriam um novo dispositivo para desfrutar a seu bel-prazer, mas principalmente devido a scalpers que queriam açambarcar stock para revender ao dobro e até ao triplo do preço original, uma prática que continua a ser uma verdadeira praga em vários tipos de artigos.
Para combater este problema, foi implementado um sistema mais cuidadoso de vendas para realmente colocar estes comandos nas mãos dos jogadores, algo que espero ver aquando das vendas dos restantes equipamentos ainda por lançar, de forma a evitar escassez graças a quem os quer adquirir apenas para lucrar. Enquanto o stock vai sendo regularizado, a pergunta que deves ter é: vale a pena pagar um preço considerável por um comando, quando existem outros tantos a preços bem mais acessíveis? Esta é a minha opinião, tanto para detentores da Steam Deck, como para quem o queira apenas usar no seu PC.

Imagem capturada por Geekinout.pt

Imagem capturada por Geekinout.pt
Passos iniciais e fiabilidade para early adopters
O processo para começar a utilizar o dispositivo é bastante rápido e intuitivo, no meu caso bastou ligar o Puck a uma das entradas USB da Dock da minha Steam Deck através do cabo USB A - USB C que vem incluído na embalagem. Após isso, recebi uma atualização rápida ao Puck e ao comando em si, que, quando concluídas, me deixou começar a testar de imediato sem problemas. Também para o testar no meu PC, bastou levar o Puck para ligar lá da mesma maneira e estava pronto a utilizar. Caso não queiras andar com as coisas de um lado para o outro, podes sempre optar pelo modo Bluetooth para teres uma experiência mais cómoda.
De mencionar que, caso o pretendido seja adquirir o Steam Controller para usar com a Steam Deck, o modelo LCD não pode ser retirado do modo Sleep à distância nem com a conexão via Puck, sendo necessário optar pelos updates do Beta Branch que já incluem essa correção. É algo que será resolvido em breve, mas que já deveria ter sido implementado aquando do lançamento do periférico, para criar uma experiência inicial mais coesa entre dispositivos do ecossistema Valve.
Como adoptante inicial, há sempre aquelas dúvidas sobre a fiabilidade imediata do produto, ainda para mais considerando que os outros produtos da empresa americana são alvos de atualizações consistentes para resolver bugs e aprimorar a experiência de utilizador. No meu caso, tendo em conta que o produto saiu oficialmente há cerca de duas semanas, tenho que confirmar que o Controller funciona de forma excelente, sem grandes bugs que possa atribuir ao periférico ou à estabilidade do software disponível. É verdade que tenho recebido atualizações de forma regular para colmatar alguma falha mais específica que felizmente não me afetou, mas caso queiras um dispositivo que possas pegar e utilizar nos teus títulos favoritos de imediato, este está pronto para tal.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Conforto, layout e a questão do peso
Em termos de conforto, pelo menos nas minhas mãos, não tenho queixas de todo, ainda que, por norma, não costumo ter problemas, seja com o Dualsense, com o da base da Xbox ou com o Gamesir Cyclone II, que são os que tinha na minha rotação previamente. Partilhando o layout dos joysticks com os periféricos da Sony, todos os inputs gerais são intuitivos e senti-me imediatamente em casa ao jogar com o Steam Controller, ainda que os botões adicionais tenham envolvido um pouco mais de esforço para a minha memória muscular até serem devidamente assimilados. Os trackpads não estorvam nos títulos em que não tinham propósito ou não senti necessidade de os usar, graças ao seu ligeiro desnível face aos restantes controlos, mas são de confortável acesso quando os quis testar mais extensivamente, após um período de adaptação que certamente vai ser mais curto para quem já teve uma Steam Deck e sabe que tem essa opção adicional.
Os triggers na traseira estão colocados perfeitamente para permitir cliques sempre que são precisos e os meus dedos acabavam sempre por ir lá parar mesmo quando não os usava, tamanho o acerto posicional dos mesmos. Este não é um comando com botões clicky, evitando barulheira desnecessária num QTE mais intenso ou noutro momento de metralhar num ou vários botões, algo que para mim não me faz grande diferença, mas pode ser dealbreaker para quem quiser um periférico mais "silencioso".
Em termos de peso, o Steam Controller é ligeiramente mais pesado relativo à competição que pude testar, mas não há uma diferença notória entre os principais rivais que tenho à disposição. Se o Gamesir Cyclone II é de longe o mais leve com 229g, a luta entre o Dualsense com 280g, o Xbox Controller com 288g e por fim o Steam Controller com 292g é bem renhida e não é a diferença não é tão pronunciada que possa aparentar. Tal como os meus outros periféricos, este nunca mais causou fadiga mesmo em sessões de jogatana mais prolongadas e a sua robustez deixa uma boa sensação nas minhas mãos.

Steam Controller comparado com outros comandos (imagem capturada por Geekinout.pt)
Steam Input, o Grip Sense e sensação háptica
Uma das melhores ferramentas implementada por parte da Valve é a de personalização de todos os nossos botões através do Steam Input. Aqui podes criar a tua derradeira experiência de jogabilidade para cada título, com diversas funcionalidades a todos os botões ao teu dispor, incluindo até os trackpads, para combinações excecionais. Podendo criar a tua própria configuração com infinitas possibilidades e ajustes, ou escolhendo entre várias criadas pela comunidade, a melhor que experimentei para já foi a opção de jogar Pragmata com os controlos habituais, com a novidade de encarar o mini-jogo de hackear o adversário inteiramente através de moções no trackpad da direita, uma opção bem original e intuitiva.
O Grip Sense permite também mais avenidas de oportunidade, podendo ser configurado como se movimentássemos um Joystick ou tornando a jogabilidade de um jogo de tiros na primeira ou terceira pessoa muito mais imersiva, permitindo apontar com o comando através de movimentos giroscópicos. É uma vertente que me causa um pouco de confusão, ainda que possa atribuir esse facto a uma resistência da minha parte, já que mesmo na Steam Deck ou na Switch, por norma não uso esta funcionalidade, mas daquilo que usei para testar a sua robustez mecânica, parece-me funcionar de forma consistente e responsiva.
A vibração háptica é satisfatória e cria uma boa sensação de imersão, causando em mim a melhor impressão face aos restantes comandos que tenho ao meu dispor. Seria a cereja no topo do bolo se este dispositivo também incluísse o excelente Haptic Feedback que os Dualsense oferecem, mas esse é, infelizmente, um sonho que acabou por não se concretizar.

Tudo o que está incluído na embalagem do Steam Controller (imagem capturada por Geekinout.pt)
Pontos menos positivos e um problema de qualidade
Apesar de tudo de bom que este dispositivo traz, existe um grande aspeto que podia ser melhorado no futuro para melhorar ainda mais o seu potencial. A incapacidade de usar o comando a não ser que a Steam esteja aberta e em jogos que estejam fora da sua plataforma parece-me um ponto difícil de ignorar. Se optar por abrir algo que esteja disponível no Xbox Game Pass, tenho que o adicionar como jogo não-Steam à aplicação para poder usar o comando. Isto até pode ser contornado ao instalar uma aplicação de terceiros feita pela comunidade, a Steamless Controller, mas é algo que devia de ser reavaliado pela equipa de software da Valve de forma a funcionar nativamente.
Também uma mancha no meu período de teste, foi o desenvolver de um chiar no trigger direito do dispositivo após alguns dias de utilização. Ao procurar o meu problema, encontrei mais gente a sofrer de um problema que já se tinha verificado em certos batches da Steam Deck, levantando questões acerca do processo avaliação de qualidade da Valve e alguns receios sobre mais eventuais problemas que se possam manifestar no futuro. É certo que foi fácil reparar, requerendo a remoção da Shell exterior, mas num produto que tem relativamente pouco tempo de uso, tenho que admitir que estou um pouco desapontado.
Respondendo às dúvidas dos fãs
Aquando do anúncio de que a Geekinout estava a tratar de uma análise acerca o Steam Controller, pedimos para nos deixarem algumas questões nas redes sociais, pelo que vou responder a algumas delas:
ruben_marques_carreira: O comando realmente faz aquele famoso “grito” quando está a cair ou isso é só mito?!
O comando faz efetivamente o icónico Wilhelm Scream quando o deixas cair, mas apenas quanto tens o modo Big Picture ligado no PC. Enquanto que na Steam Deck não consegui reproduzir este Easter Egg, no computador ele ocorre ocasionalmente em caso de queda.
DISCLAIMER: A Geekinout não suporta violência contra periféricos, testa esta funcionalidade num ambiente macio e acolchoado para evitar potenciais danos.
luismartins86: (…) A minha única dúvida é se é confortável.
Na minha opinião, o comando é bastante confortável, com uma textura bastante semelhante à da Steam Deck, sendo suave e oferecendo uma sensação de grip bem porreira. Nunca me causou fadiga, dores nas mãos ou desconforto, apenas me custou um pouco a habituar aos trackpads, aos triggers traseiros e aos botões frontais em locais um pouco diferentes de comandos que já tinha utilizado, mas com o tempo, a memória muscular trata disso.
Vale a pena o preço de admissão?
Relativamente às questões de saber se vale a pena os 99€ que questionaram em mais do que uma ocasião, na minha opinião, não há uma resposta universalmente correta, acabando por se resumir a preferências individuais.
Para mim, o valor é perfeitamente justificado, graças a uma experiência para já única de jogabilidade em PC graças aos seus trackpads, abrindo portas no que toca a uma verdadeira oportunidade de acessibilidade num ambiente de gaming no ecrã grande. Com isto, escusas de ter que arrastar um rato e um teclado contigo para onde quiseres, já que com o Steam Controller podes aceder a um teclado virtual bastante intuitivo e prático e podes mover o teu cursor de forma igualmente natural e acessível. Com o ecossistema a ser alargado no futuro com a Steam Machine, só aí é que o verdadeiro potencial desta vertente vai ser desbloqueado para um maior número de jogadores, mas para já, pelo menos para mim, o potencial já está parcialmente realizado e tenho tido uma experiência muito melhor a jogar no conforto do meu sofá.
Contudo, se pretendes um simples comando para jogar os teus jogos favoritos na tua secretária e não pretendes dar uso aos trackpads, o valor é um pouco difícil de justificar, considerando as várias alternativas mais acessíveis no mercado, a não ser que queiras possuir um periférico original que não deixa emanar qualidade.
8/10
Veredicto
A mais recente geração do Steam Controller veio fazer esquecer o pouco usual conceito apresentado em 2015, sem deixar de introduzir um conceito inovador através dos seus trackpads e ferramentas adicionais para controlar o SteamOS presente na Steam Deck e nas futuras Steam Machines. Oferecendo uma experiência out of the box extremamente sólida graças ao seu conforto e robustez, sistema háptico satisfatório e simplicidade de uso, existe ainda imensa margem para melhorias e modificações graças à sua fervorosa comunidade e à maravilhosa ferramenta que é o Steam Input, permitindo customizar o comando à nossa feição. Contudo, este não é um dispositivo que recomende a quem apenas procure um simples comando para jogar a sua biblioteca Steam e não pretenda dar uso aos trackpads ou às restantes inclusões exclusivas, já que existem alternativas mais acessíveis e igualmente sólidas que servem para esse propósito. Apesar do problema em limitar a sua usabilidade ao ecossistema Steam, chegando a inviabilizar o seu funcionamento em jogos fora da sua aplicação e até suspendendo o seu funcionamento caso esta esteja fechada, e com o problema de qualidade que tive no meu trigger direito, este é um comando que, para mim, tomará o lugar central na minha sala para aprimorar uma experiência mais confortável de PC Gaming na sala, que culminará com o lançamento da Steam Machine, uma máquina cujo preço fará toda a diferença em relação ao peso e relevância que irá ter no mercado.
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Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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