A Steam Machine é um produto que captou imenso a minha atenção desde que foi anunciada, com promessas de uma experiência dentro do que já gostava na Steam Deck e no ecossistema Steam OS, só que muito mais poderosa e feita para assentar numa sala ou numa secretária de forma mais natural. O meu entusiasmo inicial foi desvanecendo conforme o panorama dos preços se deteriorava constantemente e a previsão de lançamento era igualmente alargada, sempre a temer que o valor final apresentado fosse suficiente para tornar este dispositivo inviável para muitos.
Ainda assim, a Machine é algo que realmente queria adicionar ao meu setup da sala para me poder livrar dos cabos chatos que tinha desde a minha secretária até à TV que me era muito inconveniente, portanto, optei por me juntar à queue de reserva e pedi à minha parceira para fazer o mesmo, reavaliando até lá se estava ou não disposto a pagar o elevado preço de admissão.
No final de agosto, a minha namorada recebeu o email a confirmar que estava uma unidade disponível para compra e, após considerarmos se realmente valia a pena, acabámos por encomendar o modelo de 512GB com um Steam Controller, para assim cada um ter o seu e não haver disputas. Agora que a tenho há alguns dias como um dos pilares de entretenimento da minha sala, esta é a análise à minha experiência até ao momento.
Compacta e Silenciosa
Com os recentes rumores de uma transição da próxima geração da XBOX para uma experiência híbrida de consola/PC, a Valve foi a primeira a entrar num mercado que, até agora, se reservava maioritariamente a dispositivos montados em casa com componentes adquiridos avulsos. Com a Steam Machine, estamos perante a primeira máquina mainstream pré-construída de forma compacta para poder encaixar facilmente numa estante ou móvel com proximidade a uma TV.

Crédito da imagem: Geekinout.pt
Onde anteriormente tinha a minha Steam Deck em modo Docked na sala, agora tenho a Machine que não ocupa muito mais espaço e é relativamente leve de carregar. Com um visual simples, mas extremamente funcional, através do seu formato cúbico, de cor preta que é principalmente quebrada pela barra luminosa que atravessa a sua frente e pelo seu heatsink a ocupar a traseira quase na sua totalidade, é fácil de encaixar em qualquer lado. O painel frontal sai com facilidade, mas não ao ponto de sair por engano, de forma a ser trocado de forma prática no futuro, com modelos já à venda online, tanto por pessoas a título individual, como por lojas mais reputáveis como a Dbrand. O único problema é que o material usado para o exterior da máquina é um íman de dedadas, sendo extremamente fácil deixar a nossa impressão ao mínimo toque.
Em termos de ruído pelos métodos de refrigeração, tenho que dizer que nunca ouvi a Machine a fazer sons percetíveis de todo, algo que também é ajudado pelo facto do áudio proveniente da TV abafar qualquer ruído que possa ser emitido sob stress. Este é um hardware criado de forma competente e eficaz. Desde o seu lançamento já vi imensos criadores de conteúdo a criar alternativas que acabavam sempre por se deparar com os mesmos problemas: era maior do que a Machine; encontravam problemas de sobreaquecimento; arranjar componentes tão compactos acabava por ficar mais caro.
É certo que se pode fazer um dispositivo com preço semelhante ou até mais económico com desempenho superior, mas a praticidade da Steam Machine é por si só um ponto de venda que a deixa aterrar facilmente tanto na sala como no escritório sem grandes considerações a ter em conta no que toca a espaço.
OS amadurecido

Imagem capturada por Geekinout.pt
O Steam OS tem dado passos gigantes desde o lançamento da Steam Deck. Em algo que inicialmente foi feito para o dispositivo portátil da Valve, este sistema operativo evoluiu imenso graças a esforços da empresa americana, dos seus parceiros e também da comunidade, estando agora disponível numa maior variedade de configurações de PCs e de outros handhelds. É fácil, rápido e intuitivo ligar esta máquina pela primeira vez, efetuar as configurações iniciais e adicionar a conta Steam para transferir o primeiro jogo de forma a poder experimentar o seu potencial.
As velocidades de transferência são também estonteantes, ultrapassando de longe o que está disponível na Steam Deck, chegando a utilizar a minha ligação de internet de 1GB quase na sua totalidade. Existe também imensa margem para customizar o próprio modo de jogo, desde alterações a nível visual a outras mais práticas, como a instalação de plugins que permitem adicionar upscaling e geração de frames a jogos que não o permitam nativamente através de Lossless Scaling. É isto que separa este híbrido das restantes consolas, que possuem um sistema muito mais rígido e resistente a alterações ao seu ecossistema. Além de tudo o que está ligado ao gaming mode, tens também uma verdadeira experiência de Linux que é acessível até a alguém como eu que desde a minha adolescência usei sistemas operativos da Microsoft.
Podes instalar os teus browsers de eleição e os seus add-ons associados, as tuas aplicações preferidas e usar a Steam Machine como um autêntico PC que podes usar na sala ou no escritório. Podes até instalar o Windows 11 se quiseres, já que a Valve não criou nenhuma restrição neste aspeto. Graças ao Steam Controller, tens também acesso a um rato através do teu touchpad direito e podes abrir um teclado que podes controlar livremente com o comando. É extremamente fácil navegar o modo desktop desta forma, mas podes também simplesmente ligar um rato e um teclado para o fazer de forma mais tradicional.

Crédito da imagem: Geekinout.pt
É verdade que, tal como na Steam Deck, o Steam OS tem os seus momentos em que empanca ou abranda, não sendo completamente livre de algumas peripécias que ocorrem ocasionalmente, mas 99% do tempo tudo corre na perfeição e não tive grande motivo de queixa. É um OS amadurecido, que cresce continuamente com imenso suporte de todas as partes envolvidas e bastante user friendly, tanto no modo de jogo como no de desktop.
Uma experiência igual a uma consola
A Steam Machine oferece uma experiência bastante semelhante às das gerações mais recentes das consolas. Posso deixar constantemente em modo de hibernar e manter os meus jogos abertos enquanto saio do sofá para fazer uma pausa ou trato de outros assuntos, sem ter que deixar a máquina ligada e correr riscos do jogo ir abaixo ou acordar com problemas que me iriam obrigar a reiniciá-lo de qualquer das maneiras, como o que acontece no meu desktop.
Graças ao seu SSD NVME, os tempos de carregamento dentro do jogo são velozes e o tempo para abrir diferentes títulos é também rápido. O que demora mais algum tempo a efetuar são as configurações iniciais quando abria alguma coisa pela primeira vez, mas nada que se tornasse excessivo ao ponto de me deixar impaciente. Com acesso a HDMI CEC, é também possível ligar a minha TV da sala e voltar diretamente à jogatana com um simples ligar do meu Steam Controller, algo que só valorizo assim que não tenho acesso. Ainda assim, a experiência neste aspeto não é 100% consistente e houve ocasiões em que a máquina ligava, mas tinha que ligar a televisão à moda tradicional.

Horizon Zero Dawn a correr na Steam Machine (© Geekinout.pt)
Também, se estiver em modo Desktop, a Machine é incapaz de ligar a TV, algo que gostaria de ver modificado no futuro. Existe também a opção de ajustar o volume da TV pela Machine em si, mas infelizmente não consegui aplicar isso na minha sala, talvez pelo modelo da minha Smart TV não ser compatível com essa vertente. Em resumo, a experiência de consola da Steam Machine é sólida, ainda que não seja completamente consistente. Com o contínuo trabalho da Valve a refinar o dispositivo com atualizações regulares, acredito que este quesito seja melhorado no futuro.
O desempenho é decente
Para testar a máquina desde que a tenho, rodei alguns jogos relativamente recentes, tudo isto em 1440p.
Um dos jogos em que passei mais tempo foi o Dragon's Dogma 2 que, entretanto, vai receber a sua nova expansão, mas que já recebeu updates bem necessários para pavimentar o caminho até lá, incluindo trabalhos de otimização. Com FSR em Balanced e as opções gráficas maioritariamente em High, mas sem Ray Tracing, obtive uma experiência que era locked nos 60 frames com algumas quebras na casa dos 40-50 em lutas mais intensas ou em visitas às principais cidades.
Aproveitei também para fazer umas corridas em Sonic Racing: Crossworlds com a minha namorada, alcançando 60FPS com todas as opções gráficas no máximo, sem nenhuma quebra de performance em jogabilidade.
Também em modo cooperativo, testámos o Reanimal que saiu no início deste ano. Com todas as definições gráficas no máximo tirando o Ray Tracing que impacta imenso a performance, o jogo correu lindamente a 60FPS durante o nosso tempo passado.
Em LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight, aproveitámos para experimentar o novo modo Mayhem que saiu esta semana. Com as opções gráficas a misturar algumas definições em High e em Medium e upscaling implementado no modo Qualidade, a nossa diversão cooperativa foi um pouco mais instável. Ainda que mantivesse os 60 FPS em algumas secções, houve momentos mais caóticos em que a taxa caía para os 50 e até para os 40 e poucos durante alguns instantes.
Em Horizon Zero Dawn Remastered, com o upscaling de tentar alcançar os 60 FPS e uma mistura de gráficos Medium e High, o título conseguia atingir o objetivo de forma regular, mas com várias quebras nas secções iniciais enquanto explorava o mundo aberto e também visitava Mother's Crown onde existe uma forte densidade de NPCs.
LEGO Batman 3 a correr na Steam Machine (© Geekinout.pt)
O desempenho geral do que experimentei até agora tem sido boa, portando-se de forma expectável em títulos mais otimizados e simples ao atingir uma experiência consistente e sem grandes concessões. Em jogos mais pesados, já encontrei mais soluços que me obrigaram a algum trabalho de paciência para alcançar uma jogabilidade fluida que se assemelhe a uma consola, que é onde um dos problemas do dispositivo se encontra.
A Steam Machine é na sua essência um PC, por muito que o seu OS tente replicar a experiência de uma consola. Vais ter que andar a visitar muitas vezes as opções gráficas e a ver que compromissos tens que tomar para aumentar a performance, enquanto na PlayStation 5, por exemplo, grande parte dos jogos tem duas ou três opções visuais com os seus objetivos a alcançar, mas não há muito mais preocupações com esse aspeto.
Com a Steam Deck, alguns estúdios chegaram a implementar settings gráficos adaptados ao dispositivo algum tempo após o seu lançamento, como aconteceu com o Cyberpunk 2077, portanto resta saber se com a Machine vamos ter o mesmo tipo de atenção.

Crédito da imagem: Valve
Ultimamente, tendo em conta o seu preço, que excede os 1000 euros no modelo com menos espaço de armazenamento, esta não atinge o objetivo de ser viável a 4K como o marketing inicial prometia, e o seu desempenho pode desapontar quem esperava algo de maior nível, o que vai ao encontro do ponto principal do meu veredito.